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Rui Pereira

Rui Pereira

Professor universitário

Uma tença por Camões

13 de junho de 2026 às 00:30

A dez de junho, no aniversário do dia em que morreu, Luís Vaz de Camões regressou ao Paço para pedir mais uma vez que a tença lhe fosse paga na data combinada. Mas não vislumbrou a terra limpa que só viu no rosto do "jau" chamado António e nunca em mais nenhum. Portugal continua a matá-lo lentamente. Os governantes ignoram que só na sua Eneida lusitana, e não nas vitoriosas armas que cantou, perdura todo o Império perdido de ocidente a oriente. Se o soubessem preservariam de corruptelas a última flor do Lácio e evitariam que a juventude voltasse costas à poesia de portugueses como Sophia e Eugénio de Andrade, lusodescendentes como Jorge Luis Borges ou brasileiros como Olavo Bilac, aos quais pedi emprestadas algumas destas palavras. É necessário que a tença seja paga com a urgência imposta pelo atraso. Temos de mudar de políticas públicas e opções orçamentais para defender a língua e a arte. Um país que dedica 0,26 % do Orçamento do Estado à cultura (0,45 % se adicionarmos a comunicação social pública) está a léguas da meta de 1% preconizada pela UNESCO há mais de meio século. Merece chamar seu ao dia em que lhe morreu o maior poeta?

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