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Rui Pereira

Rui Pereira

Professor universitário

Soberania sem Fundo

27 de junho de 2026 às 00:30

Depois da pronúncia de inconstitucionalidade da Lei de Estrangeiros e da “desconcertação” social e política da reforma do Código do Trabalho, terá o executivo compreendido que a sua maioria relativa e a fragmentação do parlamento recomendam governação mais eficaz e menos ímpeto reformista? Os fundos soberanos são uma ilação do sonho do Faraó sobre as sete vacas gordas e magras. Instituídos na segunda metade do século XX para gerir receitas de recursos naturais (sobretudo do petróleo), tiveram o Kuwait como pioneiro. Seguiram-se, na região, países como os Emirados Árabes Unidos, mas também outros mais remotos, favorecidos pela lotaria dos recursos, como o Canadá e a Noruega. No novo século, a China e, em menor escala, Singapura tornaram-se seus campeões, graças ao crescimento económico e a excedentes duradouros. O objetivo estratégico é proteger a economia de crises e oscilações, gerando riqueza para o futuro. O que há de surpreendente na proposta virtuosa do governo português é pressupor que estamos ricos, sem ninguém o ter percebido. Por isso, tem sentido perguntar: onde fica a caverna de Ali Babá, ou melhor, dos quarenta ladrões? 

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