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Rui Pereira

Rui Pereira

Professor universitário

Qual é a pressa?

30 de maio de 2026 às 00:30

No PS a desunião faz a força. O lema revela a alma de um partido que empunha a bandeira do pluralismo e assume a diversidade interna. Porém, o cálculo, a manobra e a insídia retiram por vezes viço às pétalas da rosa. O repto de Costa a Seguro, em 2014, foi paradigmático. Seguro vencera eleições autárquicas e europeias, mas acabou apeado por um sibilino “poucochinho” que não logrou prova contrafática: o novo líder conduziu o partido à derrota nas legislativas. Mas tudo está bem quando acaba bem. A geringonça, concebida em pecado por falta de aviso prévio, deu-lhe a chave do poder. Passados dez anos, a esquerda perdeu a maioria sociológica, a direita populista cresceu como uma mancha de óleo, o PS converteu-se em terceiro excluído e o PCP e o BE ficaram à beira do expurgo parlamentar. Não chegou para encenar uma tragédia, mas o que se avizinha poderá ser pior do que uma farsa. A vitória de Seguro e a liderança de Carneiro, cuja ascensão é perturbada por não ter aceitado a herança a benefício de inventário, enervam parte da nomenclatura. É indesejável o “remake” do passado recente. A História demonstra que os partidos também se abatem.

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