Lembro-me, como se tivesse sido há pouco tempo, do sentimento que me acompanhava sempre que tinha a sorte de ir ver um filme ao cinema. A ocasião, mais rara do que o próprio aniversário, era seguida do ritual típico desses tempos em que ver um filme era, de facto, um luxo. Os da minha geração certamente percebem o que quero dizer quando afirmo que o filme durava meses: a hora e meia que levávamos a vê-lo, seguida do tempo em que o digeríamos e relembrávamos, como se de um grande acontecimento se tratasse. Quem, como eu, fez a juventude nos anos 80 ou 90 dificilmente esquece o impacto da icónica película “Back to the Future”. A cada aniversário redondo, como este - quarenta anos desde a estreia de 1985 - a minha memória revisita o momento em que Marty McFly, o adolescente aventureiro, acelerava naquele Delorean prateado que nos parecia tão futurista quanto os efeitos da produção. Como McFly, sem pedir licença ao tempo, também nós viajávamos até 1955, arrastando connosco o sonho e a fantasia de toda uma geração. Na altura, em Portugal, cá deste lado do oceano e longe de Hollywood, a estreia do filme só aconteceu quando caiu de maduro nos EUA. No entanto, quando chegou, também fez os adolescentes portugueses discutirem paradoxos temporais, contagiados por um enredo inédito. Mas não foi só o filme em si, era mais que isso! Trouxe consigo uma estética até então desconhecida. Fossem as cores, os posters, a banda sonora ou os efeitos. Tudo servia para alimentar a sua aura especial.
A receita do guião tinha tudo para um bom Sci-fi da época: um cientista excêntrico, Doc Brown, com o cabelo mais selvagem do que a própria aventura, que inventou uma máquina do tempo ao adaptar um Delorean. O carro, que se tornou o sonho de qualquer miúdo, tornou-se igualmente ícone do futuro, símbolo de uma curiosidade genuína que parece exclusiva aos jovens e que ecoava entre os sortudos que tinham tido a hipótese de ver o filme e que sonhavam: como será o futuro? Será que, em 2015 - ano para o qual as personagens viajaram -, íamos finalmente conduzir automóveis voadores? E se por essa altura já conseguíssemos viajar no tempo
A marca foi tão intensa que ainda hoje se promovem eventos temáticos onde se réunem fãs pelo filme. Ainda há aficionados que recriam réplicas do Delorean - umas mais bem conseguidas, outras nem tanto - e espalham fotos pela internet. Tudo isto mostra o impacto do filme, não só no seu momento da década de 80, mas também no futuro. Hoje, conquistou as novas gerações quando se reinventou e serviu de base para os mais diversos memes. Tudo isto tornou-se quase um ritual que vai mantendo o legado do filme vivo, e que certamente dará melhor contexto aos mais jovens dos tempos em que a minha geração cresceu.
Quarenta anos depois, sabemos que o futuro não nos trouxe nem carros voadores nem máquinas do tempo. No entanto, há algo que “Back to the Future” acertou: a sensação de que a juventude, e a curiosidade inerente, são sempre o verdadeiro motor do tempo.
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