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Germano Almeida

Germano Almeida

Especialista NOW

A derrota americana

13 de agosto de 2026 às 00:30

A imprudência de Trump ao avançar para a aventura no Irão desequilibrou a equação de segurança no Médio Oriente. Os países do Golfo, ensanduichados entre o regime iraniano e a assertividade militar israelita, perderam a receita que, nos últimos anos, lhes permitia projetar a ideia de serem uma ilha de atração financeira, empresarial e turística, supostamente a salvo de ameaças militares. Tudo mudou após 28 de fevereiro. O Irão retaliou contra os países que acolhem bases militares americanas e reativou a hostilidade dos seus "proxys". A Arábia Saudita, que se preparava para aceder aos Acordos de Abraão, deixou de ter condições internas para o fazer e passou a ser o principal reivindicador da saída israelita de Gaza. Em poucos meses, os EUA passaram de protetores a promotores de insegurança e instabilidade no Médio Oriente. O Acordo de Meca, assinado a três por Bin Salman, Erdogan e Shariff, é a improvável junção a três da Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, numa espécie de "mini-NATO regional", de fortíssima dimensão sunita, que deixa o Irão de fora e lança avisos complicados a Israel, mas também à Índia. E sem os EUA. Quem diria, há poucos anos, que algum destes três "players" dariam um passo desta dimensão sem o beneplácito de Washington?

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