As cativações no Orçamento de 2016 revelaram a toda a gente aquilo que alguns já haviam dito: houve mesmo austeridade. Afinal, também para este Governo de esquerda não havia outra política: aumentar impostos e cortar despesas à bruta.
Perante isto, o Bloco de Esquerda saiu da hibernação e até disse coisas acertadas. Disse que o Orçamento aprovado no parlamento era muito diferente do executado e que as cativações representam um "poder discricionário" do ministro das Finanças, contornando o parlamento.
Quase parece a "ditadura financeira do dr. Salazar", como se dizia naqueles tempos. Porque esse é o principal problema das cativações: não é o facto de ajudarem a controlar a despesa, é o facto de representarem um poder executivo arbitrário que desmente o poder legislativo democrático. É como se fosse a "ditadura financeira do dr. Centeno".
Com aspectos piores do que a outra: por um lado, no tempo do "dr. Salazar" o parlamento era decorativo, pelo que as decisões arbitrárias do "dr. Salazar" nem sequer iam contra uma vontade do povo que pudesse estar representada na Assembleia Nacional; por outro, os montantes que são geridos de forma discricionária e vão para além da lei do Orçamento são hoje muito maiores.
Ao real autoritarismo financeiro juntam-se ainda os tiques autoritários, como quando o "dr. Centeno", mauzão, à homem, atirou à cara de um deputado: "percebe agora como é que se cumpre um défice"?
Alguém deveria explicar ao dr. Centeno que, num ano em que morreram 64 pessoas e se roubou um volume recorde de armas de um quartel, provavelmente por causa de serviços insuficientemente dotados de meios, talvez fosse melhor não ser tão empertigado: é que algumas das cativações (para além de outros cortes) podem ter contribuído para as desgraças mencionadas.
O que se passa com este Governo a quem outrora corria tudo tão bem?
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