Luciano Amaral

Professor universitário

Ainda o TSUnami

23 de janeiro de 2017 às 00:30
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A posição de Passos Coelho quanto à TSU tem sido vendida como uma mera habilidade política para entalar Costa. Não é, o que foi logo demonstrado pela reacção esquizofrénica do PS. Costa, no parlamento, disse ‘esperar tudo’ do PSD a partir de agora e que gostará de ver a sua posição na hora de debater a renegociação da dívida. Como quem diz: "Virá o dia em que os meus amigos PCP e BE levantarão a coisa e aí o PSD terá de estar connosco contra eles." Já o tonitruante Pedro Nuno Santos (que ia pôr os alemães ‘finos’) explicou gloriosamente que ‘o PS nunca mais vai precisar da direita para governar’. Parecem um pouco baralhados.

A posição do PSD funciona como revelador de duas coisas fundamentais. Uma é o ‘modus operandi’ de Costa: uns acordos feitos à pressa, permitindo-lhe ficar de pé, mas que podem ser quebrados a qualquer altura para que continue de pé. Foi assim no ‘documento de Coimbra’ com Seguro, foi assim nos próprios acordos da geringonça, culminando nesta trapalhada da concertação social. Tudo assente numa atitude de desprezo essencial pelo PSD, visto como uma espécie de choninhas que, por falta do mesmo cinismo negocial, seria sempre comido. Afinal, o truque é capaz de não resultar sempre.

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A outra é a solidez da própria geringonça. A geringonça foi apresentada como a queda da última secção do muro de Berlim, por unir a esquerda como nunca. Mas a verdade é que PS, PCP e BE não existem separados por acaso. A sobrevivência a prazo da geringonça significaria a inutilização de um ou mais dos seus membros: ou o PS se transformaria num partido de oposição ou o BE e o PCP em partidos de governo. Ora, BE e PCP tal como existem não podem ser partidos de governo numa democracia parlamentar (como aliás não são, mesmo na geringonça).

A posição do PSD tornou isto claro, o que pelo menos dissipa algumas ilusões que andavam por aí.

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