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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Estreitos e atores

30 de março de 2026 às 00:30

O Estreito de Ormuz não é apenas um corredor energético, é vital também para outras matérias-primas essenciais. Um terço dos fertilizantes globais passa por ali, e o seu fecho interrompe ainda a cadeia de azoto, crucial para fertilizantes que sustentam cerca de 48% da população mundial. A segurança alimentar está logo em risco no Golfo: a Arábia Saudita importa mais de 80% dos alimentos e o Qatar 85%. Por Ormuz transitam ainda um terço do hélio global (essencial na produção de semicondutores), quase 10% do alumínio e grande parte dos plásticos do Golfo. Durante a guerra Irão-Iraque (1980-88), centenas de navios foram atacados e centenas de marinheiros foram mortos, mas o tráfego marítimo continuou a fluir mediante seguros mais caros. Hoje, porém, quem “fecha” Ormuz são as seguradoras que, 48 horas após o início dos ataques Israelo-Americanos, cancelaram coberturas de risco para o Golfo. A tripla crise energética, alimentar e dos semicondutores é inédita e pode alastrar-se, pela ação dos Houthi do Iémen, ao Estreito de Bab el-Mandeb por onde passa 12% do comércio mundial. A guerra económica atual envolve outros atores para lá dos Estados.

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