Não leio os jornais de ponta a ponta. Mas por todos passo os olhos pelos títulos e vejo como estão ou não distantes do que se conta ou reflete. De tudo acontece, entre o excelente, o medíocre e o repelente.
O que tenho reparado é o excesso de pistolas e de facas, instrumento doméstico feito arma de agressão e que surge cada vez mais na informação tingido de sangue.
Algo se está a passar: ou a tradução crua da realidade ou a narrativa do crime como chamariz para os leitores que, de vítimas de informação, se podem tornar em aprendizes de crime. E da vida pode ficar uma sensação de náusea ou um encolher de ombros onde não há nada a fazer.
É verdade que muita informação é inteiramente inútil e apenas conforta a liberdade de expressão. Censura? Claro que não. Mas não podemos escapar ao desafio que nos lança a crónica da violência com a naturalidade de quem narra um desfile de modelos.
Escrevo em Fátima, diante de uma multidão que reza e transmite o abraço da paz. E daqui a momentos irá acenar os lenços brancos no adeus à passagem da Virgem. É um gesto de emoção mas de verdade dum povo. Serão mais interessantes as notícias de violência, mediocridade ou intriga que ocupam tanto tempo e espaço na nossa informação de hoje?
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