Padre António Rego

Sono perdido

01 de maio de 2016 às 01:45
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Chegou-me mais um email. A pedir que escrevesse um prefácio para o livro que vinha em anexo. Abri. Livro estranho, que fala dum homem nascido em Inglaterra, crescido em Marrocos e que trabalha em Paris. Pareceu-me, a princípio, ser um livro de piedade. Depois fala de Lao-tse, Confúcio, dos Maias e Aztecas.

"A humanidade, diz, aspira a este encontro com o divino por vezes ficando disposta aos gestos mais loucos." Quis parar, porque não é confortável ler livros em computador. Não consegui. Fui apanhado pela história do autor. Ele não dizia. Era. "Em toda a minha vida aquilo que li mais verdadeiro foi o Evangelho. Para Cristo o amor vem sempre primeiro que tudo." Fala da família, da infância na Argélia, do contacto com a Igreja. Foi para Paris, cidade que o aterrorizou e seduziu.

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Depois a leitura dos grandes mestres, o aprofundamento da fé, as desilusões, o contacto com a arte, o teatro, o cinema, os papéis que interpretou ou dirigiu numa centena de filmes. Tocou-o a personagem que incarnou do Irmão Luc no filme ‘Dos Homens e dos Deuses’. Ficaram um só, como acontece em interpretações assumidas até ao cerne.

Lembra Einstein: pensa que "o acaso é Deus que se manifesta incógnito". E Michael Lonsdale - assim se chama o autor -  não pára de nos seduzir. O livro ainda talvez se chame ‘O amor tem um Rosto’. O testemunho de um grande homem da sétima arte que compõe um verdadeiro tratado de mística para o século XXI. Acho que quem o ler vai perder o sono, como me aconteceu.

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