Eduardo Cintra Torres

Uma bola, doze câmaras

27 de dezembro de 2015 às 00:53
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Eu ansiava por assistir a um jogo de futebol no carro de exteriores. Aconteceu a 30 de Novembro, por simpatia da Sport TV, do realizador Ricardo Espírito Santo e das empresas responsáveis, EMAV e WTVision. Calhou ser o Sporting-Belenenses, mas poderia ser outro.

Este é um trabalho de TV muito profissional e intenso. Ao lado do camião da régie está uma carrinha onde se fazem e aplicam os grafismos em directo. A equipa de transmissão tem cerca de 30 pessoas. No estádio estão os operadores de câmara; nos grafismos, três técnicos; na realização, além de Espírito Santo, três técnicos só para as repetições, um para equilibrar a iluminação da emissão, um para o som, um adjunto do realizador. E havia ainda duas produtoras, o pessoal assistente técnico (cabos, etc.) e os comentadores.

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No carro, a equipa tem à frente quase 30 monitores; 12 mostram as imagens enviadas pelas câmaras no estádio. As câmaras principais estão todas do mesmo lado do campo, como se fosse no teatro, para não criar confusão nos espectadores sobre quem joga de que lado.

Outras câmaras estão por trás das balizas e do outro lado do campo, sendo usadas quase só em repetições. Mas há uma câmara, a nº 1, que é a mais usada nas emissões: a que está ao centro do estádio e permite mostrar todo o relvado. Quanto tempo de jogo está esta câmara no ar? O realizador arrisca 90%. Compreende-se: ela funciona como o olhar de um espectador nas bancadas, vendo o máximo do campo, olhando à esquerda ou à direita, e aproximando a atenção para a parte do relvado onde se concentra a acção.

As outras câmaras substituem o olhar do espectador nas bancadas: elas perfazem o panóptico, a sensação de se acompanhar tudo e todos os jogadores, treinadores, equipa de arbitragem, bancadas. Se a câmara nº 1 é o pilar da narrativa de jogo, as outras são o que faz a diferença entre estar na bancada e ver o jogo pela TV – elas e as repetições e grafismos.

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Quantas repetições se fazem num jogo? Não há estatísticas, mas um operador diz- -me: "Mais de cem; só nesta série – o penálti que resultou no único golo da partida – foram sete." Elas dão o detalhe e a câmara lenta, enquanto o som do relvado se mantém em directo, estruturando a narrativa do "ao vivo". O realizador dá instruções o tempo todo aos câmaras e aos técnicos. Ele tem uma posição singular: é como se visse o jogo antes dos espectadores, pois decide a câmara que entrará no ar um segundo antes de a vermos. Ali, no carro de exteriores, o jogo é o do espectáculo televisivo.

A ver vamos: Mais um frete a Sócrates 

Os tiques pidescos são difíceis de erradicar. No ‘Sexta às 9’ (RTP 1), Margarida Neves de Sousa e Sandra Felgueiras fizeram um inacreditável e nojento processo de delação e de intenções a um jornalista da ‘Sábado’ e a dirigentes da investigação a Sócrates a propósito – mais uma vez – da quebra do segredo de justiça, um tema relevante para políticos e "conhecidos" acusados e para os seus advogados, mas sem a mesma importância para os cidadãos.

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A reportagem ouviu advogados justiceiros sobre o assunto, sem dizer que um é defensor de Armando Vara e outro de Hélder Bataglia. A reportagem mencionou algumas fugas de informação, mas não a que permitiu a fuga de Fátima Felgueiras para o Brasil. 

Já agora: E por falar em fretes...

Muitos interrogaram-se sobre a vantagem que a notícia da TVI anunciando o fim do BANIF deu ao Santander, accionista de referência da dona da TVI, na compra do banco. José Alberto Carvalho entrevistou o seu director Sérgio Figueiredo durante imensíssimos minutos e não lhe fez qualquer pergunta sobre o assunto. 

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