Marcelo Rebelo de Sousa anunciou aquele que foi o objetivo proclamado por Cavaco Silva durante muitos anos: Portugal vai crescer mais de 3%. Na verdade, durante muitos anos, desde que saiu do Governo em 1995, em intervenções periódicas criteriosamente pensadas, Cavaco Silva foi sugerindo que o país precisava de crescer mais de 3% ao ano. Desde o princípio do século que o crescimento económico em Portugal tem sido sempre fraco e o ex-Presidente da República e antigo primeiro-ministro ia aproveitando essa debilidade para "subir a fasquia". Só que, entre outros fatores, já não estávamos na segunda metade dos anos 80 e na primeira dos 90, em que a economia tinha muito para crescer com a entrada daquilo que nunca tínhamos conhecido antes: os fundos europeus. Foi exatamente nesse período que Cavaco Silva foi primeiro-ministro.
Depois esteve 10 anos fora do poder e nos seguintes cinco anos a economia cresceu pouco, até porque Portugal teve também défice excessivo a partir de 2002. Entre 1995 e 2000 a economia cresceu em média 4,1% ao ano e entre 2000 e 2005 ficou-se pela sofrível média de 0,6%. Dez anos no Governo com a economia a crescer bem, dez anos fora do poder com a economia a crescer cada vez menos e a defender que ela tinha de voltar a crescer bem. E depois, dez anos como Presidente da República, por ironia do destino, com a economia a nunca alcançar a meta que Cavaco Silva tinha considerado essencial.
Marcelo Rebelo de Sousa nunca chegou a estar como primeiro-ministro e agora no seu percurso bem-sucedido (pelo menos até agora) consegue, enquanto Presidente da República, ver Portugal crescer a mais de dois por cento e, segundo anunciou e o ministro das Finanças confirmou, pode mesmo ultrapassar a barreira desses tais míticos 3%. E é um Governo do PS, apoiado pelo PCP e pelo BE, que poderá cometer essa proeza.
O destino tem destas ironias e ao falar delas não estou a criticar ou a causticar Cavaco Silva, ele fez muito por Portugal e não é isso que está em causa, nem está em causa, principalmente, falar do passado. O que está em causa é que todos os agentes políticos consigam perceber o presente. Portugal vive um tempo obviamente novo na política e na economia.
Na política, temos um Presidente e um Governo numa sintonia como nunca existiu antes e um apoio parlamentar a esse Governo como também nunca existiu antes. Na economia, neste ano de 2017, existe confiança e esperança, como também há muito tempo não se verificava. Será bom de mais?
Portugal já acordou muitas vezes de sonhos cor de rosa. Desta vez não queremos voltar para trás. Todos exigimos a nós todos que o esforço que tem sido feito desde 2011 até 2015 e desde o final de 2015 até agora seja realmente consolidado. Desta vez tem de ser para valer.
Arte na pousada e teatro de rua
A Pousada de Lisboa, no Terreiro do Paço, é um belo exemplo do aproveitamento patrimonial para fins turísticos. É a pérola mais recente da cadeia Pousadas de Portugal do Grupo Pestana, tendo sido aquela que melhor desempenho teve em 2016. O charme e a beleza merecem uma visita ao interior, para apreciar o resultado da reabilitação arquitetónica do imóvel e as peças de arte expostas. Mas também para desfrutar do bom restaurante com ementa para vários gostos e do espaço de bar.
Entretanto, está de regresso a Santa Maria da Feira o ‘Imaginarius’, o maior festival internacional de teatro de rua do país. A 17ª edição tem como tema a sociedade na criação artística contemporânea e na capacitação criativa. O festival, que termina amanhã, conta com a participação de mais de 400 artistas de 49 companhias.
Dois anos não é tempo a mais
O Benfica mereceu, a grande distância, ganhar o título. O FC Porto recuperou bastante e poucos não sentirão consideração e respeito pelo trabalho de Nuno Espírito Santo. O Sporting teve a segunda época de Jorge Jesus. A primeira correu muito bem e não foi campeão por dois pontos. Depois saíram jogadores-chave e na segunda época houve, de facto, uma quebra. Não é tempo a mais, dois anos. Outras equipas foram subindo, como o V. Guimarães, o Marítimo, o Rio Ave e o Feirense.
Figuras
Da proteção das crianças a Messi
Lua cheia: juiz Armando Leandro
Uma carreira notável do juiz conselheiro, ao serviço da causa da proteção das crianças e jovens em risco, a ser agora homenageado pela Santa Casa e condecorado pelo Presidente da República.
Quarto crescente: Melania Trump e a discrição
Nas visitas recentes a Israel e ao Vaticano, Melania Trump demonstrou ser uma primeira-dama que, sem dúvida, junta a beleza à discrição e que não faz alardes nem alaridos.
Quarto minguante: Susana Díaz e o PSOE em Espanha
Apesar de tudo, foi dececionante o resultado que a presidente da Junta da Andaluzia, em Espanha, teve na disputa pela liderança do PSOE. Pedro Sánchez quererá vingar-se? Rajoy que se cuide.
Lua nova: Lionel Messi e o Fisco
O jogador do Barcelona está a passar um momento complicado com a condenação de fuga a responsabilidades fiscais. Complicado para um ídolo de tanta gente.
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