Rui Moreira

Presidente da Câmara Municipal do Porto

Gentrificação ao contrário

31 de julho de 2016 às 00:30
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Abriu-se uma porta de uma casa no Centro Histórico. De dentro saltou a primeira página amarelada de um jornal. Era o ‘Expresso’, antevendo umas eleições legislativas, em 1980. Em cima, no cabeçalho, o nome do diretor: Marcelo Rebelo de Sousa.

Há 35 anos, quando este jornal foi impresso e colocado na soleira de uma porta e ali ficou, sem leitor até esta semana, Portugal era diferente. Saía de uma década quente e entrava na epopeia da integração e crescimento. Dou-me conta, Sá Carneiro estava prestes a obter uma maioria absoluta.

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Desde então, Portugal viveu uma relação bipolar com o desenvolvimento e a pobreza. Nos 35 anos anteriores, também, com o próspero e o decadente. Mas nos últimos 150 anos, houve um denominador comum: os edifícios dos centros de Lisboa e do Porto foram deixando de ter gente.

A página amarelada de qualquer jornal que venha a saltar de dentro de uma porta de um desses prédios, fechados há décadas, nunca nos falará do repovoamento do coração da cidade. Houve, é certo, programas que visavam manter habitantes. Mas foram pontuais, descontinuados e coabitaram com oferta de habitação social na periferia.

Esta página do ‘Expresso’, que saltou para o meio da Rua dos Caldeireiros na quinta-feira, foi lida, finalmente, porque eu e o meu vereador abrimos a porta, para que o prédio seja reabilitado e acolha famílias em regime de renda social. O pó e as memórias que por lá pairam, nas sanefas de janelas quebradas pelo tempo, darão lugar a nova vida e novos moradores, muitos deles os "velhos" moradores, há anos empurrados para blocos sociais.

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Apesar do que afirmam os arautos da desgraça, não foram expulsos pelo turismo, que então nem existia. A maioria, quando no passado lhes perguntavam onde queriam viver, não queria viver num centro histórico desconfortável e desinteressante. A Câmara do Porto começou agora a criar condições para que regressem. Não apenas porque vai transformar ruínas em habitação, mas porque há hoje o desejo de lá viver.

A gentrificação e a desertificação dos centros históricos não é culpa nem do turismo nem da movida nem dos moradores. É um fenómeno com séculos que resulta de más políticas. Modestamente, no Porto cremos estar a inverter esse paradigma. Mesmo que os efeitos só venham a ser reconhecidos nas capas dos jornais daqui a 35 anos, graças ao primeiro programa do género na história da cidade, hoje.

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Viajar: para oriente, via Istambul 

Já não sei quantas vezes fui a Istambul, a cidade maravilhosa que faz a ponte entre Ocidente e Oriente.

É um lugar onde tudo pode acontecer e cuja imagem que nos chega é, por vezes, muito distante da realidade.

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Subir Sultanahmet, a pé, entre cheiros, sabores e cores é das mais intensas e compensadoras experiências que um viajante pode ter. Anteontem, passei por Istambul, a caminho de outras paragens, e, desta vez, sem sair do aeroporto Ataturk.

Aguçou-me a saudade de cada uma das muitas vezes que lá fui para ficar dias inesquecíveis.

A Turkish Airlines voa todos os dias do Porto, diretamente para lá, sem pontes aéreas, sem "hubs" secundários e sem tiques de low-cost, tornando Istambul o verdadeiro "hub" do Porto, a caminho do Oriente.

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Obras: Dúvidas sobre o Mercado do Bolhão

Nesta semana, a Câmara do Porto revelou todo o calendário de intervenção no Mercado do Bolhão. Gerou regozijo entre a quase unanimidade dos visitantes da minha página a solução encontrada para o mercado temporário, que ficará muito próximo, num espaço do Centro Comercial La Vie. Logo alguma imprensa relatou os naturais medos dos comerciantes em relação à mudança. Não têm que se assustar. A solução é boa, as vendas serão impulsionadas pela nossa comunicação e promoção e, pelos vistos, os clientes não se cansam de aplaudir a localização. Os comerciantes são a alma do mercado e a nossa prioridade. O que mais queremos é que, quando puderem regressar ao Bolhão, estejam cheios de vida e comercialmente ativos.

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