André Villas-Boas foi o único presidente dos ‘grandes’ que se deu ao incómodo de se deslocar até à sede da Liga por ocasião da Assembleia Geral que se realizou na quarta-feira. A AG tinha por ordem de trabalhos as alterações aos regulamentos competitivos e disciplinares para a época 2026/27. Frederico Varandas e Rui Costa não compareceram à sessão e o facto de a Liga ter sede na cidade do Porto não será a desculpa para tão pertinentes ausências. Já as atuais e respetivas circunstâncias na Segunda Circular são uma desculpa bastante aceitável. Varandas está a dar tudo para que o Sporting tenha um extraordinário mercado de verão e Rui Costa está, segundo a imprensa da especialidade, num limbo entre Lisboa e o Seixal à espera de que José Mourinho lhe diga que não vai continuar na Luz. Não deixa de ser curiosa esta situação porque, em boa verdade, Mourinho já disse ao país todo, por mais do que uma vez, que se vai embora e, aparentemente, só o presidente do clube é que ainda não sabe. Pelo menos, é o que se vem depreendendo das notícias dos jornais sobre o assunto.
A AG da Liga, que é o tema desta reflexão, contou com Villas-Boas na representação do FC Porto, o Sporting enviou dois representantes, Amândio Novais e Patrícia Silva Lopes, e o Benfica enviou uma representante, Célia Falé. O momento mais alto da reunião aconteceu quando aquele velho atributo durante 42 anos atribuído a Pinto da Costa - “a ironia do costume”, como ficou conhecido - baixou à sala da reunião e encarnou na figura do atual presidente do FC Porto. Contextualizemos esse assombramento precioso para melhor compreensão do sucedido.
Tratando a assembleia de alterações aos regulamentos desportivos para a próxima temporada, os representantes do Sporting apresentaram uma proposta no sentido de alargar a intervenção do VAR “nomeadamente no caso de pontapés de cantos mal assinalados”. De acordo com os relatos da imprensa pediu a palavra o presidente atual do FC Porto para colocar aos representantes do Sporting uma questão que o anterior presidente do FC Porto não desdenharia colocar.
O atual presidente do FC Porto, sem perder a compostura, sugeriu que a proposta do Sporting contemplando a intervenção do VAR em decisões sobre pontapés de canto fosse aprovada desde que tivesse “efeitos retroativos”. Referia-se Villas-Boas - e pode-se acrescentar “com a ironia do costume” - ao canto mal assinalado a favor do Sporting no jogo dos Açores com o Santa Clara quando corria o minuto 93 e que resultaria no golo da vitória dos então campeões nacionais e na conquista dos 3 pontos em causa. Foi, de facto, uma pena que Varandas não estivesse no Porto na quarta-feira passada para ouvir isto. É que merecia.
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