Foi notícia, como não podia deixar de ser, que a família de Jorge Nuno Pinto da Costa recusou o convite do atual presidente do FC Porto para estar presente nos festejos da conquista do título. Foi o 31.º campeonato para o clube da Invicta sobre o qual recaem dúvidas pertinentes sobre a sua data de fundação. 1893 por António Nicolau Almeida ou 1906 por José Monteiro da Costa? Já quando se trata de apontar o nome daquele foi seu presidente por 42 anos e que transmutou o emblema regional numa potência de dimensão nacional e internacional não recai dúvida alguma. Foi a família dessa figura histórica do FC Porto e do futebol português, “o presidente mais titulado do mundo”, como registaram todos os seus obituários, que desprezou o convite de André Villas-Boas para se juntar à festa portista na noite do último sábado consumado que foi o triunfo no campeonato.
André Villas-Boas, como lhe cabia e como o seu sangue-azul lhe recomendava, não acusou a desfeita da família ex-presidencial e, consumada a vitória, pronunciou em voz bem alta do púlpito da consagração que dedicava “esta” conquista “inteiramente a Pinto da Costa e a Jorge Costa”. Pinto da Costa, o seu antecessor morreu em fevereiro do ano passado – sobreviveu 10 meses à sua derrota eleitoral e à eleição de Villas-Boas – e Jorge Costa, jogador e “capitão” histórico do clube, morreu no último verão vitimado por um colapso cardíaco quando, no exercício das suas funções de diretor do futebol, assistia ao treino da equipa principal nas instalações do Olival. É um facto que a lenda absolutista de Pinto da Costa exigia que o FC Porto pós-Pinto da Costa não ganhasse nenhum título tão cedo para que os mais fiéis entre os seus fiéis pudessem clamar que depois dele viria o dilúvio entre mil outros vaticínios aterradores que foram feitos e jurados por altura do ato eleitoral que o retirou da presidência e, mais tarde, por altura do seu desaparecimento físico.
A realidade é que, contra a maioria dos prognósticos internos e externos, André Villas-Boas ganhou o seu primeiro título de campeão nacional como presidente no segundo ano do seu mandato batendo Pinto da Costa que só foi campeão nacional no terceiro ano do seu mandato. É impossível afirmar quanto dinheiro encontrou Pinto da Costa nos cofres do clube quando sucedeu a Américo de Sá em 1982, mas não há ninguém no Portugal moderno que não saiba, porque foi dito muitas vezes, que Villas-Boas só encontrou oito mil euros nos cofres da SAD quando lá chegou. Terá sido a exposição destes preciosismos da tesouraria que, entre muitos outros preciosismos, afastou a família Pinto da Costa da festa do título no sábado e que a manterá afastada da vida do clube para sempre? Vá lá saber-se.
Os árbitros portugueses, de facto, têm azar no estrangeiro: Pinheiro em Munique e a saga da mão que inclina o jogo
João Pinheiro vai estar no Mundial a representar a nossa arbitragem. Para se apresentar “au point” no acontecimento dos acontecimentos foi-lhe atribuída a condução do jogo da 2.ª mão da meia-final da Liga dos Campeões entre o Bayern e o PSG. Os árbitros portugueses, de facto, têm azar. No rescaldo do jogo da 1.ª mão entre bávaros e parisienses só se falou da maravilha que foi o desafio e do conjunto de exibições fenomenais que protagonizaram uma noite inesquecível. Já no rescaldo do jogo da 2.ª mão visto pela imprensa estrangeira o protagonista foi, por unanimidade, o árbitro português pelas decisões controversas que tomou e que prejudicaram bastante o Bayern de Munique. O treinador dos prejudicados, Vincent Kompany, lamentou a presença de “uma mão a inclinar o jogo” e o CEO dos alemães lamentou a falta de experiência do árbitro português. Permitam-me contrariar o senhor Jan-Christian Dreesen. Não é experiência que falta aos árbitros nacionais, é escrutínio.
SOBE & DESCE
Francesco Farioli: Batizado a preceito
Aterrou com a sombra do desastre no Ajax a pairar sobre si, mas sobreviveu às previsões fatalistas. Conduziu o FC Porto ao título e levou o 'banho' da praxe.
Mario Dorgeles: Vermelho fatal
O herói da 1.ª mão, marcou o golo da vitoria tangencial do Braga, foi o vilão da 2.ª mão fazendo-se expulsar aos 7 minutos em Friburgo deixando a equipa com 10.
Rui Costa: Presidente sancionado
Chamar “ladrão” a Gustavo Correia, o árbitro do jogo Famalicão-Benfica, valeu ao presidente do Benfica uma suspensão de 25 dias e uma multa de 4 mil euros.
PÉROLA
“Ficou demonstrado que o Sporting foi a melhor equipa a praticar futebol em Portugal esta época” - Carlos Xavier
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