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Victor Bandarra

Victor Bandarra

Jornalista

Memória de Agostinho

16 de agosto de 2026 às 00:30

A Volta a Portugal em bicicleta já foi a maior Festa Popular do país. De borla, milhares de pessoas viam passar os seus ídolos, a começar por Joaquim Agostinho, o maior ciclista português de sempre. Todos sabiam, sobretudo a GNR, que só quando o carro-vassoura passasse é que o alcatrão podia voltar a encher-se de carros e de gente. Nesses tempos, a rádio transmitia as etapas ao jeito de relato de futebol. Emoção a rodos. Agostinho tinha uma técnica rudimentar, compensada por uma força e capacidade de sofrimento únicas. Um dia, num contrarrelógio na Volta a França, Agostinho apanhou o campeão Raymond Poulidor. Em vez de o ultrapassar, colou-se ao seu ídolo. Explicou depois: "Então eu ia lá ultrapassar o Sr. Poulidor?!" Outros tempos. Esta semana, Finlay Tarling, 19 anos, morreu após choque com uma carrinha que já circulava. O carro-vassoura ainda não tinha passado. Falha grave de segurança. Há 42 anos, Agostinho deu uma queda na Volta ao Algarve. Sofreu traumatismo craniano mas insistiu em acabar a etapa. Morreu 10 dias depois. Mas descobriu-se logo o culpado: um cão que se havia atravessado à sua frente. Se fosse um carro, ainda hoje a culpa andava por aí solteira.

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