Eduardo Dâmaso

Jornalista

O País de André Ventura

26 de outubro de 2024 às 00:31
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O Chega quer uma polícia a disparar contra tudo o que mexe. Alimenta um discurso cego contra as minorias e de proteção incondicional da polícia, mesmo quando os factos podem não ser os melhores aliados desta. Mesmo quando a esmagadora maioria dos polícias, sérios e íntegros, não quer uma polícia agachada em narrativas de encobrimento. O partido de Ventura odeia os imigrantes e quer reenviá-los a todos para as respetivas terras. Também os utiliza, num zénite de cinismo, para tentar reconquistar a relevância perdida, como aconteceu na pantomima que montou no Orçamento, exigindo um referendo insultuoso. Quer leis que legitimem o seu delírio que liga imigração e crime, bairros de minorias e crime, raças ou credos a crime.

O Chega não quer soluções democráticas, que olhem para as melhores práticas mundiais, que procurem aprender com o que correu bem e mal em desafios de integração ou de ataque ao crime noutras paragens. Quer mesmo apenas e só caos social, violência nas ruas, ódio e raiva que alimentem o único programa que o move e que vê como o seu abono de família eleitoral: a rejeição do outro e uma espécie de preferência nacional acéfala, como se fossemos os últimos exemplares arianos na luta contra o mal. Esta ideia de país não é só execrável. Com ela não se constrói o futuro dos nossos filhos.

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