O debate entre Seguro e Ventura foi esclarecedor. Seguro mostrou estar totalmente focado no que significa concorrer ao mais alto cargo da Nação. Ventura deixou claro que luta por ser primeiro-ministro. Passou a ideia de que Ventura está na eleição errada. Mas o debate mostrou outra coisa. Seguro deixou a receita certa para ganhar debates a Ventura. Tirar-lhe as habituais bandeiras, com rigor, clareza e, até, alguma elegância, é uma parte da fórmula. Foi o que fez Seguro com as subvenções vitalícias, o enriquecimento ilícito, a luta contra a corrupção. Foi o que fez com a imigração. Num segundo momento, expôs a fragilidade das propostas de Ventura, como na nomeação do procurador-geral, empurrando-o para uma inaceitável indicação corporativa. Por fim, falou diretamente para o eleitorado de Ventura, partindo do saudável e democrático princípio de que os 1,3 milhões de eleitores que tem não são uma anomalia política ou sociológica. Têm de ser reconquistados para outras alternativas. Desmontou a “política do empadão”, essa mistura de meias-verdades com mentiras, de factos com perceções, também não entrou no jogo das linhas vermelhas. Essencialmente, não excluiu os eleitores. De todos os políticos que debateram com Ventura até hoje, Seguro foi o melhor e porventura, veremos no dia 8, o mais eficaz.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt