Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Vítimas da guerra

01 de outubro de 2026 às 00:31
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Quando Trump decidiu atacar o Irão há 7 meses também atacou o nosso nível de vida e o nosso poder de compra. O agravamento da prestação dos contratos à habitação em outubro é brutal, mais um consequência nefasta da trágica guerra do golfo que agravou o preço dos combustíveis, aqueceu a inflação e por isso fez disparar os juros. Nos próximos meses continuará esta tendência, o que significa que mais de um milhão de famílias serão penalizadas e perderão mais rendimento disponível para pagar a prestação ao banco. 

Mas neste milhão de famílias são as mais jovens que conseguiram comprar casa nos últimos anos a sofrer o ataque mais brutal. Para quem pediu mais de 200 mil euros de empréstimo e essa marca é quase o novo normal deste tempo em que a habitação atinge valores astronómicos, são várias centenas de euros a menos na carteira e a mais na prestação. Na última década o preço das casas triplicou, mas o ritmo dos salários foi mais modesto, o que significa que o esforço das famílias para adquirir habitação digna mais do que duplicou. Com os juros mais caros os preços praticados no mercado imobiliário tornam-se insustentáveis. Com preços tão caros e inacessíveis há o risco do País se tornar cada vez mais uma grande Comporta, com residências exclusivas para os milionários estrangeiros, enquanto os nativos ficam longe e até o acesso à praia pública fica condicionado. 

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