O que é que Luís Montenegro não explica na história da casa? Quase tudo. Como o CM e o ‘Expresso’ evidenciaram, há demasiadas lacunas em todo o processo de construção da casa do líder do PSD, em Espinho. Montenegro não explicou quanto gastou na moradia, de onde veio o dinheiro, e não esclareceu porque omitiu o valor efetivo do imóvel nas declarações que entregou ao Tribunal Constitucional, entre 2015 e 2022.
A lei obriga os políticos à comunicação de todos os acréscimos patrimoniais efetivos superiores a 50 vezes o salário mínimo. Depois, o licenciamento da obra e os benefícios fiscais concedidos estão longe de ser cristalinos. Muito menos a intervenção de alguém que então era presidente da câmara, amigo e correligionário de Montenegro, no caso o ex-deputado Pinto Moreira. É previsível que ninguém queira discutir o assunto na campanha, mas era óbvio que o Ministério Público teria de investigar esta história espinhosa para o líder do PSD. Como, aliás, deve estar a fazer há muito tempo, ainda antes deste inquérito.
E é óbvio que, se Montenegro não falar claro, a casa vai acabar por cair em cima da sua liderança. Depois não se diga que o jornalismo ou o Ministério Público é que estão a dar cabo da República e a levar Ventura às costas. É que com amigos como Montenegro, Ventura não precisa de mais nenhum empurrão para chegar a um resultado inédito.
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