O que choca mais neste escândalo do caos nos exames é como o Ministério da Educação, tradicionalmente um alfobre de quadros do Estado, se degradou tanto e entrega algo tão importante como a digitalização de exames a uma empresa sem currículo num negócio ad hoc. É inacreditável e inadmissível como tanta gente, alunos, famílias e professores, são lesados por atos de pura negligência. Não se pode avançar para um processo de digitalização de exames, sem a certeza que tudo vai correr bem, mas ter ainda a garantia de que se algo poder correr mal, existe um plano B, que mantém o processo sem qualquer tipo de constrangimentos para os alunos.
O governo tem muito a explicar sobre os contratos com a empresa responsável por esta tarefa e mesmo que os negócios já venham dos executivos socialistas, esta equipa está no Ministério de Educação há dois anos.
O nível de amadorismo que este processo revela mostra o nível a que chegou a administração pública. Em qualquer empresa privada, os responsáveis por este colapso seriam imediatamente despedidos, mas no Estado fica só o ministro para responder. Além da eficácia dos resultados e da eficiência dos recursos utilizados fica também a dúvida sobre todos os procedimentos contratuais, quer com a empresa sem currículo que ficou com a operação, quer com os consultores usados para emendar os erros. Neste exame o Estado chumbou.
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