Os sinais de fraca salubridade estão à vista. O acesso público às declarações de rendimentos e bens dos titulares de cargos políticos, incomoda o Governo e autarcas socialistas. A publicidade dos financiadores dos partidos também incomoda muita gente. Os mais vocais têm sido o PCP, Chega e BE, que invocam a lei da proteção de dados para não identificarem os doadores perante a Entidade das Contas. A Entidade pediu um parecer jurídico à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), que lhe aplanou o caminho.
Os doadores passam a gozar de um tranquilo anonimato. Com esta doutrina, nunca conheceríamos o esquema montado por Salgado para financiar a campanha de Cavaco, como revelou a revista ‘Sábado’ há uns anos. O coro dos insatisfeitos chega ao clero, pela voz do cardeal Américo Aguiar, que fala de uma “lei ambígua” em matéria de escrutínio das almoçaradas de Isaltino e Luísa Salgueiro. Neste ambiente de casta em acelerada autoproteção há uma síntese evidente. Estão a degradar todos os alicerces de defesa do interesse público e de exigência democrática de maior transparência no exercício de cargos políticos. Com isso, estão a querer ultrapassar linhas vermelhas sagradas para a saúde da democracia o que, evidentemente, não é aceitável. Não contarão nunca com o nosso silêncio e passividade.
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