Celebrou-se no sábado o Dia Contra a Corrupção. Os apelos e discursos foram alguns. Nada de especial, apenas alguns. Os poucos de sempre, como as associações Transparência e Integridade e Frente Cívica. Os que têm alguma obrigação, como o Presidente da República. Outros, deixaram para hoje, como a Polícia Judiciária, que vai dedicar uma conferência à corrupção no desporto. Também há, caricaturalmente, quem ache que a corrupção se combate atribuindo prémios à dita ‘sociedade civil’. É o que faz uma associação desconhecida, que cavalga o prestígio de figuras como Joana Marques Vidal ou Maria José Morgado. Enfim, cada um escolhe o caminho que quer. A verdade é que no combate à corrupção poucas coisas são certas. Já o sucesso da corrupção e da sua prima mais nova, a cunha, a sua grande porta de entrada, é do mais certo que há. Não está a funcionar nem a prevenção, uma anedota, nem a punição, um esforço inglório. O que funciona a sério é a impunidade. Afinal, num País onde um ex-ministro já disse que há mais de uma semana que “tinha um assessor só para as cunhas” e não provoca nenhum levantamento nacional, tudo é possível. Temos o que merecemos: uma casta que manda e um povo que obedece aos sinais da pastorícia habitual.
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