A sondagem publicada esta semana pelo CM mostra um país dividido em três - PS, Chega e AD, por esta ordem - e claramente inclinado para a direita. Este cenário permite três conclusões. Primeiro, que o governo de Montenegro não aquece nem arrefece. Os problemas que havia continuam por resolver, a que acresce o facto de os portugueses não estarem a viver melhor. Segundo, que o PS, embora na frente, vai ter muito de penar para regressar ao poder. Com as coisas como estão, nem com uma geringonça 2.0. Terceiro, que só um entendimento entre o PSD e o Chega permite levar por diante as medidas que o País precisa.
A reforma laboral era um bom teste. Falhou. O documento desequilibrava a balança entre patrões e trabalhadores e Ventura temeu as consequências. Para justificar o ‘não’, introduziu um elemento interessante, a idade da reforma, mas inconsistente do ponto de vista da sustentabilidade do sistema de pensões. Tudo seria diferente se o partido de Ventura fizesse parte do Executivo. Talvez se conseguisse um documento bom para todos. E é isso que interessa nestas coisas, que todos fiquem a ganhar.
Aqui chegados, há que ser realista. No contexto atual é impossível reformar o que quer que seja sem um entendimento efetivo à direita. Como a antecipação de eleições seria um exercício inútil, é altura dos dois maiores partidos se sentarem à mesa e conversarem. Caso contrário, não vamos a lado nenhum.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt