As buscas da Polícia Judiciária a um verdadeiro cartel do fogo, que tem, no mínimo, empastelado os concursos e preços das adjudicações de meios de combate aos incêndios, mostram, de novo, que estamos perante um negócio milionário opaco e assente em mecanismos de informação privilegiada. Para lá dos indícios criminais, estamos no mundo do acesso fácil a decisores políticos e públicos, das propostas concertadas, dos jeitinhos aqui e acolá. Tudo o que deveria merecer um maior escrutínio, tendo em conta os bens jurídicos protegidos pelas normas violadas, do direito à propriedade e património florestal à própria vida, mas que este Governo não está interessado em proporcionar. Fica tudo no segredo dos gabinetes, como o tal pedido de escusa que o ministro Leitão Amaro terá feito neste caso, por ser familiar do empresário investigado. O mínimo que seria exigível ao ministro, num plano estritamente ético e político, seria a prova documental de que foi feito esse pedido de escusa, não a remissão para uma espécie de crença coletiva na sua palavra. Que saibamos, não é assim que as coisas funcionam numa democracia madura. A cartilha desta coligação em matéria de respeito pela transparência, porém, é outra coisa. É aquela que o deputado Hugo Soares tem vindo a consagrar: desde 2019 é tudo um enorme disparate. Assim estamos.
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