O maior acionista da Altice, Patrick Drahi, está em “choque” e sente-se “traído” por “um pequeno grupo de indivíduos”, que inclui “um dos colegas mais antigos”, numa alusão ao seu sócio Armando Pereira. Nas palavras do homem que tem a nacionalidade portuguesa, obtida no leilão da comunidade judaica do Porto, é lamentável ver “a palavra corrupção junto do nome do grupo”. Apresentando-se como vítima, Drahi esquece um ou outro pormenor sobre o seu próprio conhecimento dos crimes. Compreende-se que queira separar as suspeitas que atormentam a Altice, desde logo pela elevadíssima dívida do grupo e que deixou banca e fundos de cabelos em pé. Mas é difícil engolir que um empresário que paga 20 por cento dos seus lucros anuais a outro, como disse Drahi ser a sua ligação contratual a Pereira, não saiba o que este anda a fazer. Que não saiba com quem este faz negócios. Que não tenha mecanismos de ‘compliance’ que o alertem, ou que não duvidem de práticas conhecidas no meio dos negócios, em Lisboa. A angústia do senhor Drahi percebe-se, mas as suas palavras estão longe de convencer uma alma mais cética no processo de aproximação a alguma sombra de verdade.
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