O legado deixado pela anterior direção da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, liderada pelo socialista Edmundo Martinho, já vai em cerca de 20 processos judiciais e perdas milionárias com a aventura da chamada internacionalização do jogo, em particular para o Brasil. Perdas que se aproximam perigosamente dos 100 milhões de euros, distribuídos criminosamente no Brasil por empresas detidas pela máfia do jogo do bicho e pelo grupo criminoso PCC. Este trágico ciclo de gestão na Santa Casa está ainda muito longe de ter tido o devido escrutínio político, jornalístico e judicial, ainda que nesta última frente a investigação esteja a fazer o seu papel. É essencial saber até onde foi a mera irresponsabilidade ou incompetência, onde começou o roubo, a gestão danosa, a lógica clientelar e a corrupção. A Santa Casa é, há demasiados anos, um albergue de gente oriunda dos aparelhos partidários de PS, PSD e CDS, bem como de grupos de interesses difusos mas muito organizados. É um ninho de víboras que comprou o silêncio dos media através da publicidade e a cumplicidade do poder político assegurando soluções milagrosas como a compra do Hospital da Cruz Vermelha. A atual provedora, Ana Jorge, tem feito um esforço notável para limpar a casa. Tem mostrado uma independência rara na vida pública, mesmo contra gente do seu partido. Merece todo o apoio de que necessitar, venha ele de onde vier.
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