Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoO risco de 28 de maio
29 de maio de 2026 às 00:31O centenário do golpe de 28 de maio, que acabou com a Primeira República e instaurou uma ditadura que abriu caminho para um regime totalitário que durou 48 anos, passou quase despercebido. Vivemos numa sociedade que despreza a memória coletiva e isso é um erro porque nos arriscamos a ser como os peixinhos de um pequeno aquário, sempre às voltas, sem saber o que está a acontecer e o que pode suceder. E há demasiadas semelhanças com a situação de há 100 anos para eliminar-mos os riscos. Os partidos da Primeira República, em confusão permanente, com elevada violência política, foram culpados. Grande parte da população aplaudiu o golpe. O País ansiava por ordem, que foi reposta à custa da retirada de direitos individuais essenciais. Outra causa foi a crise económica e financeira. O País era muito pobre, grande parte da população vivia em situação miserável e a pandemia de anos anteriores tinha piorado ainda mais a situação.
O País hoje já não é tão pobre, mas os nossos jovens não têm esperança. Os salários são baixos, o sonho de ter casa é quase uma miragem e a emigração é cada vez mais uma opção dos mais qualificados. Se o poder não conseguir dar esperança aos seus cidadãos, este défice de expetativas pode originar um novo 28 de maio que abra caminho para soluções falaciosas e perigosas, até porque não faltam candidatos a D. Sebastião à espera de manhãs de nevoeiro.
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