O realismo do Governo na apresentação do PTRR foi avassalador. Montenegro montou um ‘plano’ para ir empurrando com a barriga e evitar ter de dar “tudo a toda a gente”. A frase-chave do debate foi essa: “Não é possível ao Estado dar tudo a toda a gente.” Claro que não. Só pode mesmo ir dando alguma coisinha aos seguros ou a pessoas como a ex-secretária de Estado da Saúde, cuja ignorância sobre a greve do INEM foi premiada com um belo tacho no Metro. O Governo vestiu a velha farpela da prudência porque sabe, obviamente, que não temos economia para acudir à crise das tempestades, do petróleo, dos incêndios, da seca, por aí adiante. Não temos economia para atacar a sério a pobreza ou a falta de habitação. Temos economia para salários baixos e esmolas pontuais aos reformados. Para gerir a ancestral cultura salazarista de pobretes, mas alegretes, reservada às periferias do poder, enquanto a rapaziada mais enturmada na centralidade do dito poder se vai safando. Enfim, realista e prudente, mas muito pouco capaz de devolver a esperança aos portugueses. Como de costume.
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