Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoRetórica das cruzadas
08 de abril de 2026 às 00:31Se esta guerra não fosse trágica e não custasse tanto ao mundo até podia parecer uma paródia com uns lunáticos que tomaram conta da Casa Branca e decidem lançar um ataque a um estado soberano de 90 milhões de pessoas, também liderado por cruéis fanáticos religiosos, a reboque de um pequeno país com uma poderosa diáspora. Trump não percebeu que a cultura de sacrifício e de martírio dos xiítas, maioritários no Irão, não garante, mesmo que deixem aquele povo na idade da pedra, uma vitória no conflito. Netanyahu já conseguiu neutralizar todos os inimigos na região. Depois da morte de Arafat, a OLP ficou fragilizada, Saddam e Kadhafi tiveram um triste fim, a dinastia al-Assad foi derrubada na Síria, o Hezbollah atacado impiedosamente no Líbano e o Hamas, incentivado por Israel para diminuir a OLP. cometeu o erro trágico do massacre de 7 de Outubro, que deu pretexto para a aniquilação de Gaza, modelo que agora Israel está a tentar exportar para o sul do Líbano e Irão. Iranianos e libaneses estão a sofrer com os ataques de bombas, mas há países do golfo que também correm risco de sobrevivência e o mundo paga com inflação e fome esta guerra de loucos que mais de 200 anos após o século das luzes recuperam no ocidente a perigosa retórica das cruzadas.
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