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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

A guerra das bandeiras

14 de março de 2026 às 00:31

O Mundo arde com a guerra no golfo Pérsico, mas o Chega e o CDS têm outras preocupações. O Tribunal Constitucional aponta o dedo à opacidade das declarações de rendimentos de Luís Montenegro, mas o Chega e o CDS olham, sem surpresa, para o lado. O episódio das declarações de rendimentos, que obriga o primeiro-ministro a dizer que clientes teve e que serviços fez na Spinumviva, evidencia, aliás, a enorme indisposição de quase todos os partidos com o escrutínio democrático. É um cancro instalado no coração da democracia.

Em todos os Governos dos últimos anos tem havido gente aborrecida com as exigências da lei em matéria de transparência. Primeiro, apostaram na indefinição da Entidade. Depois, na manta opaca que tricotaram à sombra da lei de proteção de dados pessoais. Por fim, exploram alçapões que abram caminho às interpretações mais convenientes. Agora, a guerra das bandeiras em edifícios públicos que o CDS e o Chega lançaram é a metáfora de outra pobreza dos tempos que vivemos.

Os partidos da extrema-direita, CDS incluído, neste caso, estão mais centrados em si próprios, nos ressentimentos, na guerra ideológica, do que no serviço público. Têm uma agenda de mera reação identitária ao que consideram ser abusos da esquerda, como se não estivéssemos perante uma guerra suicidária, ou a exigência elementar de zelar pela probidade dos que gerem os dinheiros públicos. O ridículo não é pequeno.

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