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Paulo João Santos

Paulo João Santos

Jornalista

A morte é muito injusta

24 de julho de 2026 às 00:31

Sofia, Rita, Teresa, Luís. Quatro nomes que a morte veio buscar nas últimas 24 horas, em circunstâncias que nos devem fazer refletir sobre o sentido da vida. Sofia, uma menina de 18 meses, foi deixada dentro de uma carrinha escolar durante horas. Não resistiu. O que deve ter sofrido aquela criança. Rita e Teresa, médicas, seguiam de mota, felizes, quando bateram de frente num táxi. Morreram ali, no asfalto. Luís, de ‘Feiticeira’, ‘Timor’, ‘125 azul’ e tantas outras canções, que trauteamos sem dificuldade sempre que recordamos tempos passados em festas de amigos, partiu da noite para o dia. Assim, sem mais nem menos.

A morte é de facto muito injusta e desprovida de critério. Dá ideia que olha para a lista, ‘hoje vão estes, amanhã logo se vê’. Tanto dá ter dinheiro, talento, ser pobre ou inocente. Vidas inacabadas, ceifadas com um estalar de dedos. Como escrevi aqui um dia, mas que vale a pena recordar nestes momentos, nascemos na fila para a morte, só não sabemos quando chega a nossa vez.

Dizia-me um velho monge budista, que a única forma de enfrentar a vida é viver o momento. O passado não o podemos alterar, do futuro nada sabemos. E não falava de nenhum passado ou futuro distantes, mas do segundo que passou e do que está para vir. No fundo, tem razão. Há que viver o momento, de preferência com um sorriso nos lábios, sem perder a consciência de que a vida é um sopro.

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