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Paulo João Santos

Paulo João Santos

Jornalista

Que raio de mundo este

23 de abril de 2026 às 00:31

"Por favor, abram a estrada. Queremos ir para a escola. Não levamos nada, só temos os nossos livros ". O apelo do grupo de crianças palestinianas aos soldados israelitas junto à cerca de arame farpado, erguida pelos colonos na Cisjordânia ocupada, é ignorado. Tinha percorrido mais de um quilómetro, a pé, de mochila a tiracolo. Miúdos de cinco, seis, sete anos, não mais, sem aulas há 50 dias, desde que começou a guerra no Médio Oriente. O cessar-fogo abria uma janela de oportunidade.

Abria, mas não abriu. A vontade de apreender, levou-os a tentar contornar a cerca de arame farpado, mas foram corridos pelos militares, que recorreram a gás lacrimogéneo e granadas sonoras para os afastar. Ficaram com medo, mas não desistiram, voltaram. Sentaram-se no chão, tiraram os livros e cadernos da mochila e fizeram os trabalhos. No 'intervalo', tocaram tambores e cantaram. 'Somos crianças, como as crianças do resto do mundo', lia-se num cartaz que transportam consigo.

A história, comovente, é contada por uma equipa de reportagem da Al Jazeera, junto de quem sofre, na Cisjordânia, onde as crianças palestinianas são impedidas de ir à escola. São impedidas de aprender. São impedidas de serem crianças. Que raio de mundo este.

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