Escândalo de Tancos derruba ministro da Defesa do Governo
Azeredo Lopes apresentou a demissão do cargo, com o argumento de que é preciso proteger as Forças Armadas.
José Azeredo Lopes não resistiu à polémica sobre a devolução simulada das armas roubadas nos paióis do Exército, em Tancos: esta sexta-feira, ao final da tarde, Azeredo Lopes apresentou a demissão do cargo ao primeiro-ministro. Para ocupar o cargo, circulam dois nomes: João Mira Gomes, atual embaixador de Portugal na Alemanha e ex-secretário de Estado da Defesa, e Ana Paula Vitorino, atual ministra do Mar.
Azeredo Lopes ficou numa posição política frágil desde que o major Vasco Brazão, ex-porta voz da Polícia Judiciária (PJ) Militar, disse, no âmbito do caso Tancos, que o ministro da Defesa terá sido informado da encenação para recuperar as armas roubadas em Tancos. Azeredo Lopes negou isso e reafirmou-o na carta de demissão apresentada ao primeiro-ministro.
Nessa carta, Azeredo Lopes justificou a demissão de forma simples: "não podia deixar que as mesmas Forças Armadas fossem desgastadas pelo ataque político ao ministro que as tutela." António Costa aceitou a demissão do ministro, pela sua "dignidade" e "honra" e preservação da "importância fundamental" das Forças Armadas.
Na calha para ocupar o cargo de ministro da Defesa, fala-se em dois nomes: João Mira Gomes, que tem a seu favor a experiência de ter sido secretário de Estado da Defesa e representante de Portugal na NATO, e Ana Paula Vitorino, por haver vontade política de dar o cargo a uma mulher.
Para Rui Rio, líder do PSD, a demissão do ministro "peca por tardia, porque as Forças Armadas foram sujeitas a um debate público negativo durante demasiado tempo".
Catarina Martins, líder do BE, disse que a demissão "não é a única resposta" necessária ao caso Tancos. João Almeida, do CDS-PP, frisou que a demissão é mais um motivo para fazer a comissão de inquérito ao furto de armas em Tancos." E Jerónimo de Sousa, líder do PCP, considera que a demissão passou a ser um problema do primeiro-ministro.
Major, coronel e general ouvidos
O major Brazão, da PJM, diz que, em novembro, entregou em reunião um memorando ao ex-chefe de gabinete do ministro (e este a Azeredo Lopes) dando conta que a recuperação das armas foi encenação. O coronel Vieira (ex-líder da PJM) diz que não (apesar de o major o colocar na reunião).
O major será de novo ouvido no MP, terça-feira. O coronel no dia 23. O chefe de gabinete, Martins Pereira, já foi chamado a interrogatório e pode vir a ser arguido.
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