2,5 milhões para o lixo
O projecto de reabilitação do Parque Mayer voltou à estaca zero. O vereador da Câmara de Lisboa Manuel Salgado anunciou ontem a abertura de um concurso público que pretende recolher ideias para a formulação de um programa urbanístico e, dessa forma, devolver a vida a um recinto que em tempos foi centro de espectáculos e onde hoje resta um triste cenário de degradação. Quer isto dizer que morreu na maquete a obra projectada pelo norte-americano Frank Gehry, que custou 2,5 milhões de euros.
Manuel Salgado lançou ontem um concurso de ideias com o objectivo de seleccionar cinco equipas técnicas, das quais sairá uma responsável pela elaboração de um Plano de Pormenor para o Parque Mayer. A ideia, de acordo com o vereador do Urbanismo, é que o plano esteja concluído no início de 2009.
O projecto vai incidir sobre uma área que compreende os edifícios do Parque Mayer, o Jardim Botânico, a antiga Escola Politécnica e toda a área envolvente, num total de cerca de 14 mil hectares.
O financiamento ainda “não está decidido”, mas segundo Manuel Salgado “deverá contar com parcerias públicas e privadas”. Porém, garante, “este não é um projecto de grandes intervenções e gastos”. E sublinhou: “Não se justifica projectos megalómanos”, recuperando desta forma o que António Costa já havia comentado em referência ao projecto do arquitecto Frank Gehry, contratado pelo executivo liderado por Santana Lopes para revitalizar o Parque Mayer.
As propostas para o concurso começam a ser recebidas na próxima terça-feira e até 4 de Janeiro de 2008. O júri será presidido pelo arquitecto Nuno Teotónio Pereira.
Manuel Salgado adiantou ainda que a Câmara vai lançar “um concurso de engenharia, arquitectura e equipamentos cénicos” para recuperar a traça natural do Teatro Capitólio, situado no interior do Parque Mayer, da autoria de Cristino da Silva. O custo da obra está estimado entre “8,5 e dez milhões de euros”, totalmente cobertos com verbas do Casino Lisboa. “Gostava muito que ficasse concluído nos próximos dois anos”, avançou o vereador.
CÂMARA PREMEIA VENCEDORES COM 25 MIL EUROS
Dos projectos concorrentes ao concurso de ideias para o Parque Mayer cinco serão premiados pela Câmara de Lisboa com 25 mil euros (primeiro prémio recebe dez mil euros, segundo 7500 e os restantes 2500 euros). Para tal os candidatos têm de projectar para o recinto infra-estruturas destinadas a novas valências na área do teatro, música, artes plásticas, lazer e restauração. Devem ainda valorizar uma componente espaço verde que permita a articulação com o Jardim Botânico. Para a Escola Politécnica a ideia é vocacionar os edifícios para um Museu de História Natural e Ciência.
EXPECTATIVA
O presidente da Junta de Freguesia de São José, João Mesquita (PSD), manifestou-se “expectante” em relação ao concurso para o Parque Mayer, lamentando o abandono do projecto do arquitecto norte-americano. “Parece-me que perdemos uma grande oportunidade de termos uma obra de Frank Gehry em Lisboa”, disse João Mesquita.
INDEMNIZAÇÕES
Alguns comerciantes do Parque Mayer alertaram ontem Manuel Salgado, vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, para o facto de continuarem sem receber as indemnizações que, reclamam, lhes são devidas pela Bragaparques, antiga proprietária do espaço.
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