95% das medidas do cenário macroeconómico no programa do PS

Segundo António Costa, os restantes 5% "ou serão calibrados, ou doseados ou alterados".

06 de maio de 2015 às 21:44
antónio costa Foto: Manuel de Almeida/Lusa
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O secretário-geral do PS estimou esta quarta-feira que 95 por cento das medidas do cenário macroeconómico socialista constarão no futuro programa eleitoral do partido e prometeu combater pela mudança do quadro institucional e económico da zona euro.

Estas foram duas das posições centrais defendidas por António Costa no final de um colóquio realizado no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa, no qual estiveram presentes alguns dos economistas que elaboraram para o PS o cenário macroeconómico "Uma década para Portugal", assim como o ex-presidente do Novo Banco e membro do Conselho de Estado Vítor Bento.

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"Se me perguntam se todas as medidas constantes no documento [cenário macroeconómico] vão estar integralmente presentes no programa eleitoral do PS a apresentar no dia 6 de junho, digo que sim em relação a 95 por cento delas. Os outros cinco por cento de medidas, na sequência do debate público e da discussão democrática no PS, ou serão calibrados, ou doseados ou alterados", respondeu o líder dos socialistas.

António Costa referiu que as maiores críticas ao cenário macroeconómico do PS são dirigidas aos mecanismos conciliatório para a cessação do contrato de trabalho e à descida da taxa social única (TSU) de quatro pontos para empregadores e quatro pontos para trabalhadores (embora de forma temporária).

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Na questão dos contratos de trabalho, o secretário-geral do PS considerou que a discussão tem tido muitas vezes como base "informações prévias" sobre o teor de trabalhos académicos da autoria do coordenador do cenário macroeconómico, Mário Centeno, e não sobre aquilo que efetivamente está escrito no documento "Uma década para Portugal".

Na questão da descida das contribuições para a Segurança Social, António Costa disse que a discussão da medida proposta foi "contaminada" pelo debate travado há dois anos e meio, quando o atual Governo propôs uma descida da taxa social única (TSU) só para as empresas, que seria compensada pelo aumento das contribuições dos trabalhadores. 

"A expressão TSU é atualmente absolutamente tóxica, tendo uma fortíssima carga negativa. Mas a descida temporária das contribuições dos trabalhadores é um importante estímulo ao rendimento das famílias e para o aumento da procura interna. Depois, propõe-se uma diversificação das fontes de financiamento da Segurança Social, o que é fundamental para o sistema", alegou.

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Nas suas respostas a perguntas formuladas por cidadãos presentes no colóquio, boa parte deles economistas, António Costa reiterou a tese de que o cenário macroeconómico do PS cumpre na íntegra as regras do atual quadro institucional da zona euro e reconheceu que os setores mais à esquerda estão a criticar o seu partido por, alegadamente, aceitar acriticamente as regras do pacto de estabilidade e do Tratado Orçamental da União Europeia.

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