Acusações do Chega a companhias de teatro causam polémica em Setúbal

Partido votou contra o apoio do município a duas companhias de teatro, que justificou com o que descreveu como "agendas ideológicas divisivas" por parte destas.

11 de março de 2026 às 18:57
Acusações do Chega a companhias de teatro causam polémica em Setúbal Foto: Rui Minderico
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O Teatro de Animação de Setúbal, PS e BE criticam o voto contra do Chega ao apoio do município a duas companhias de teatro e acusam aquele partido de tentativa de censura à liberdade artística e valores democráticos.

A polémica surgiu na sequência das justificações apresentadas pelos eleitos do Chega para o voto contra os apoios municipais ao Teatro de Animação de Setúbal (TAS) e ao Teatro Estúdio Fontenova, alegando que as duas companhias representam "agendas ideológicas divisivas", por o TAS ter levado à cena a peça Manual do Bom Fascista e o Teatro Estúdio Fontenova ter participado na 1.ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ em Setúbal.

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Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o BE considera que se trata de um regresso do lápis azul (censura) pela mão do Chega e critica as justificações apresentadas pela bancada do partido, não obstante o executivo da Câmara Municipal ter aprovado por maioria os apoios municipais às duas companhias de teatro da cidade de Setúbal.

"No caso do TAS, o voto contra foi justificado por esta companhia ter levado à cena a peça Manual do Bom Fascista, baseada no livro homónimo de Rui Zink" e, no caso do Teatro Estúdio Fontenova, "a justificação prendeu-se com a sua participação na 1.ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+, organizada pelo Cardume Coletivo, que decorreu em outubro do ano passado, em Setúbal", lê-se no comunicado do Bloco de Esquerda (BE).

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O Bloco insurge-se ainda com as afirmações do vereador do Chega António Cachaço na discussão e votação dos apoios municipais, lembrando que, para o autarca do Chega, "a peça Manual do Bom Fascista compara conservadorismo, patriotismo e valores tradicionais ao fascismo, constituindo, uma caricatura ofensiva e uma forma de manipulação ideológica".

"Já o voto contra o Teatro Estúdio Fontenova só pode ser entendido, da nossa parte, como motivado por razões homofóbicas", sustenta a coordenadora concelhia do BE de Setúbal.

Também em comunicado, o PS corrobora as críticas aos eleitos do Chega na Câmara Municipal de Setúbal.

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"O argumentário utilizado pela bancada do Chega para justificar o voto contra as propostas de apoio a duas das maiores referências do teatro setubalense, instituições que são parte da nossa identidade cultural, constitui um ataque frontal aos valores democráticos, que não pode ser apresentado como simples decisão política", afirmam os socialistas de Setúbal.

O Teatro de Animação de Setúbal reagiu "com estupefação" às afirmações dos eleitos do Chega, considerando que "revelam não só um profundo desconhecimento do papel das artes, mas também uma tentativa perigosa de cercear a liberdade de criação".

"Já não vivemos nos tempos da censura. Em democracia, o apoio público à cultura não deve ser um prémio por 'bom comportamento' ou conformidade ideológica, mas sim um investimento na diversidade e na identidade de uma região", conclui o Teatro de Animação de Setúbal.

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