Almoço com Marcelo sem sinais sobre o OE
Encontro entre o novo presidente social-democrata e Chefe de Estado acontece após uma semana turbulenta no partido.
O novo líder do PSD almoça hoje com o Presidente da República, naquela que será a primeira conversa alargada sobre o País entre Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa após o congresso dos sociais-democratas. O encontro surge no seguimento das audições que o Chefe de Estado fez aos partidos sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2019 e o período até ao final da legislatura. Contudo, várias fontes adiantam que dificilmente Rio abrirá o jogo sobre a posição que terá na negociação orçamental até outubro.
Um dirigente social-democrata frisa ao CM que "há outros dossiês importantes, nomeadamente questões europeias que estão agora a ser discutidas" e que servirão de mote à conversa. E sublinha que "é um sinal importante que o Presidente dá querer falar com o líder do maior partido da oposição com mais calma", depois de um primeiro encontro formal, há uma semana, "em que se tinham passado menos de 24 horas do congresso".
Uma outra fonte assume que Rio seria "incapaz de dar já um sinal sobre o sentido de voto do Orçamento", por ser "prematuro" fazer cenários sem conhecer os contornos. E admite que será difícil que o novo líder social-democrata adiante as medidas que gostaria de ver inscritas no OE de 2019. Ambas as fontes desvalorizam que o almoço entre Marcelo e Rio surja após o encontro em São Bento do líder do PSD com o primeiro-ministro, assegurando que o almoço em Belém foi marcado antes de ter sido agendado o encontro com Costa.
O encontro no Palácio de Belém surge depois de uma semana turbulenta no PSD. Marcelo não deverá ficar, por isso, indiferente à contestação interna da bancada às opções do novo líder social-democrata. Ao CM, um dirigente afirma que Marcelo valoriza o sentido de Estado de Rio e várias fontes admitem que a má relação entre ambos - com origem em confrontos passados - está a ser enterrada.
SAIBA MAIS
1996
Rui Rio não foi a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa, então presidente do PSD, para secretário-geral do partido, em 1996. O nome surgiu imposto a partir do Porto. Acabaram zangados, com Rui Rio a pedir a demissão do cargo.
Luta pré-presidenciais
Há três anos, Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa voltaram a travar uma batalha silenciosa, quando ambos se posicionavam discretamente para uma candidatura à Presidência da República. Marcelo acabou por avançar, afastando Rio da corrida.
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