António Costa vê próximo quadro orçamental da UE como "oportunidade histórica" para Portugal

Para o antigo-ministro do País, "o aumento do investimento em ciência é fundamental para reforçar a competitividade numa economia movida pela inovação".

23 de março de 2026 às 17:39
António Costa Foto: Olivier Matthys/Lusa_EPA
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O presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou esta segunda-feira, na Universidade do Porto, que o próximo quadro orçamental da União Europeia 2028-2034 "abre uma oportunidade histórica para Portugal se posicionar num novo campeonato", especialmente na investigação e desenvolvimento.

"O próximo quadro orçamental da União Europeia (UE), para o período 2028-2034, atualmente em negociação, abre uma oportunidade histórica para Portugal se posicionar num novo campeonato", disse esta segunda-feira António Costa num discurso na Reitoria da Universidade do Porto, na sessão solene do 115.º aniversário da instituição.

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O também ex-primeiro-ministro português destacou "a criação do Fundo Europeu de Competitividade", que "duplica o montante do Horizonte Europa, estabelecendo estreita parceria entre a investigação fundamental, a translação do conhecimento para o setor empresarial e a inovação em quatro áreas estratégicas".

Essas são a "transição energética, liderança digital, saúde e biotecnologia e defesa e espaço".

Para António Costa, "o aumento do investimento em ciência é fundamental para reforçar a competitividade numa economia movida pela inovação", algo que considerou "condição essencial na defesa da democracia, quando a liberdade de investigar está ameaçada, e não só em regimes autoritários" e "quando a veracidade dos factos é questionada e a ciência tantas vezes ignorada".

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"A perspetiva de duplicação dos fundos destinados à investigação, desenvolvimento e inovação no ciclo de programação 2028-2034, é uma grande oportunidade para, em parceria com o tecido empresarial, Portugal aumentar o investimento em Investigaçao & Desenvolvimento em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), mas também reforçar o volume de financiamento por investigador", vincou.

António Costa recordou ainda "a experiência das agendas mobilizadoras, nascida na resposta europeia à pandemia" de covid-19, que criou "um novo modelo de cooperação entre universidades, centros de investigação, empresas e organismos públicos", que apelidou de "colaborações virtuosas que se afirmaram como um modelo de investimento europeu orientado para o desenvolvimento sustentável".

"No novo quadro orçamental europeu, este modelo tenderá a tornar-se regra", adiantou o presidente do Conselho Europeu, o que "permitirá às Universidades posicionarem-se ainda mais como elementos vitais para a competitividade da economia portuguesa e europeia".

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Para António Costa, "este é o caminho indispensável para a economia nacional produzir os bens e serviços de maior valor acrescentado que lhe permitem superar o rendimento médio e criar os empregos de qualidade que os novos recursos humanos do país exigem e que podem ser descentralizados, de forma coesiva, no todo nacional".

Num discurso em que assinalou vários indicadores de desenvolvimento do país desde a adesão à União Europeia, Costa recordou que "os fundos europeus não suportaram só o investimento em infraestruturas rodoviárias", mas "fizeram muito mais", tendo dotado "o país de instituições, equipamentos e infraestruturas que transformaram estruturalmente a economia e a sociedade".

"Mas não podemos pedir à política de coesão aquilo que a política de coesão não pode dar. Podemos até acreditar que uma galinha nos pode dar ovos de ouro, mas sabemos que só dragões, águias ou leões ganham campeonatos", alertou, utilizando uma metáfora com os chamados 'três grandes' do futebol português (FC Porto, Benfica e Sporting).

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