Aprovada integração de ex-Chega na governação de Lisboa e Moedas conquista maioria absoluta
Votaram a favor os oito eleitos de PSD/CDS-PP/IL e a independente Ana Simões, que juntos formam agora uma maioria absoluta, com nove eleitos entre o total de 17 que compõem o executivo municipal.
A câmara de Lisboa aprovou esta sexta-feira a integração da independente Ana Simões Silva, ex-Chega, na equipa de vereadores em regime de tempo inteiro, até agora composta pelos eleitos de PSD/CDS-PP/IL, passando Carlos Moedas (PSD) a governar com maioria absoluta.
Subscrita pelo presidente da câmara de Lisboa, a nova proposta de fixação do número de vereadores em regime de tempo inteiro, para integrar Ana Simões Silva (eleita pelo Chega nas eleições autárquicas de outubro e que se desfiliou do partido de extrema-direita em janeiro), foi viabilizada em reunião privada do executivo municipal, com os votos contra de PS, Livre, BE e Chega, e a abstenção de PCP, informou à Lusa fonte da autarquia.
Votaram a favor os oito eleitos de PSD/CDS-PP/IL e a independente Ana Simões, que juntos formam agora uma maioria absoluta, com nove eleitos entre o total de 17 que compõem o executivo municipal.
Na quarta-feira, a câmara de Lisboa informou que Carlos Moedas (PSD) iria passar a governar com maioria absoluta ao delegar competências na vereadora independente Ana Simões Silva (doutorada em Medicina Dentária), atribuindo-lhe os pelouros da Saúde e do Desperdício Alimentar e competências "no âmbito do grupo de trabalho responsável pelas candidaturas a projetos europeus".
"Com esta alteração, que resulta na formação de uma maioria absoluta com nove eleitos (num total de 17), serão reforçadas as condições para a governação estável e coesa da autarquia, permitindo ao executivo liderado por Carlos Moedas concretizar o programa sufragado pelos lisboetas para o quadriénio 2025-2029", expôs.
O atual executivo municipal de Lisboa tomou posse no dia 11 de novembro de 2025, um mês depois das eleições autárquicas, em que Carlos Moedas foi reeleito, pela coligação PSD/CDS-PP/IL.
Com oito eleitos (incluindo o presidente), a coligação ficou a um mandato de obter a maioria absoluta. Os restantes nove lugares foram ocupados por PS (quatro), Chega (dois), Livre (um), BE (um) e PCP (um).
Em 19 de janeiro, Ana Simões Silva anunciou a decisão de se desfiliar do Chega, assumindo o mandato como independente. Com isso, o Chega ficou reduzido a apenas um vereador, Bruno Mascarenhas.
Ana Simões Silva justificou a decisão com "incompatibilidades políticas intransponíveis dentro do gabinete da vereação do partido Chega", recusando-se a "permanecer como uma vereadora meramente decorativa, sem qualquer tipo de meios que permitam exercer um mandato competente em benefício da cidade de Lisboa".
Em reação, o vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, acusou Ana Simões Silva de trair o partido pelo qual foi eleita e de "vender-se" a Carlos Moedas para ter pelouros e, com isso, ter uma remuneração, e assegurou que o partido de extrema-direita continua unido, inclusive na Assembleia Municipal, onde a gestão PSD/CDS-PP/IL se mantém sem maioria absoluta.
"Não culpo o engenheiro Moedas na sua plenitude, na realidade foi a vereadora em questão que se foi oferecer com o intuito de ter uma remuneração, [...] o engenheiro Moedas aproveitou a ocasião e, portanto, ele não é propriamente o principal culpado disto", afirmou Bruno Mascarenhas, em declarações à Lusa.
O PS -- principal força de oposição à liderança PSD/CDS-PP/IL -- defendeu que a estabilidade na governação da cidade "não pode justificar a normalização da extrema-direita" e avisou que o facto de a vereadora Ana Simões Silva passar a independente "não significa que, de um dia para o outro, deixe de partilhar as ideias pelas quais foi eleita", concluindo que "o Chega entra, assim, no governo da cidade pela mão do presidente da câmara".
Também Livre, BE e PCP criticaram a integração de Ana Simões Silva na equipa de vereadores com pelouros, realçaram a aproximação entre a gestão PSD/CDS-PP/IL e o partido Chega e avisaram que acabou o tempo em que o presidente da câmara "justificava a inação com a ausência de uma maioria estável".
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