BE acusa Governo de "torcer contra quem trabalha" mas Montenegro queixa-se de desinformação

Fabian Figueiredo afirmou que com Luís Montenegro "sabe-se sempre o resultado do jogo" porque "ganham sempre os mesmos: a banca, a grande distribuição, as elétricas e as petrolíferas".

17 de junho de 2026 às 16:45
Fabian Figueiredo Foto: Filipe Amorim/ Lusa
Partilhar

O deputado único do BE criticou esta quarta-feira o Governo por "torcer contra quem trabalha" num jogo no qual "o campo está sempre inclinado para o mesmo lado", mas o primeiro-ministro acusou o bloquista de desinformação.

"Cabo Verde estreou-se no mundial e empatou com a Espanha, campeã da Europa. Quando as regras são justas, há seleções surpresa. Em Portugal, as regras não têm sido justas. Temos um campo inclinado sempre para o mesmo lado", criticou Fabian Figueiredo, no debate quinzenal com o primeiro-ministro, na Assembleia da República.

Pub

Em dia de jogo da seleção portuguesa contra a República Democrática do Congo para o Campeonato do Mundo de Futebol, o deputado bloquista voltou a criticar o executivo por querer "impor um pacote laboral que baixa salários" bem como uma Prestação Social Única (PSU) "que obriga doentes oncológicos, pessoas com deficiência, viúvas a prestar trabalho gratuito, que corta apoios a crianças se um adulto falhar ou uma obrigação absurda".

"Os combustíveis estão mais caros. O cabaz alimentar está mais caro. A casa está mais cara. Mas o imposto sobre lucros extraordinários anunciado há um mês, ninguém o viu. Bola!", criticou.

Fabian Figueiredo afirmou que com Luís Montenegro "sabe-se sempre o resultado do jogo" porque "ganham sempre os mesmos: a banca, a grande distribuição, as elétricas e as petrolíferas".

Pub

"Hoje a Seleção Nacional entra em campo e o país está toda com ela, porque as regras são justas nesse mesmo jogo. E o que o país exige também, senhor primeiro-ministro, é que pare de torcer contra quem trabalha. Traga o imposto para termos mais meios para responder à crise", apelou.

Na resposta, Luís Montenegro começou por recordar os resultados das últimas eleições legislativas, nas quais o BE se viu reduzido a um deputado: "Da última vez que todos os intervenientes foram a jogo, o resultado foi 1 em 230".

Acusando Fabian Figueiredo de desinformação no que toca ao pacote laboral ou à PSU, Luís Montenegro referiu que a proposta do Governo estabelece que os beneficiários de apoios sociais trabalhem ou participem em ações de formação, mas salientou que não quer "violentar ninguém".

Pub

"Queremos uma sociedade que seja, por um lado, justa, mas por outro lado, que olhe para as pessoas e as queira valorizar. Nós queremos tirar as pessoas da circunstância que as leva a terem necessidade de ter prestações sociais. Os senhores deputados querem que as pessoas lá fiquem a vida toda. Nós não nos resignamos a isso", defendeu, momento bastante aplaudido pela bancada do PSD.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar