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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

CDS-PP e Montenegro acusam partidos à esquerda de serem "do contra"

Paulo Núncio referiu que os partidos que sustentam o Governo (PSD e CDS-PP) estão "disponíveis para negociar" e criticou a "posição absolutamente caricata do PS".

17 de junho de 2026 às 16:39

O primeiro-ministro e o líder parlamentar do CDS-PP concordaram esta quarta-feira na crítica aos partidos da esquerda, classificando-os como "do contra", e lamentaram a posição do PS, defendendo que o país precisa de reformas.

Numa intervenção no debate quinzenal, na Assembleia da República, o líder parlamentar do CDS-PP acusou a esquerda de não querer mudar "absolutamente nada" no C, ainda que Portugal tenha "a segunda legislação laboral mais rígida da OCDE", que os salários estejam "35% abaixo da média da União Europeia" e o desemprego jovem continue "estruturalmente elevado".

"Senhores deputados, conformam-se mesmo com isto tudo? Acham mesmo que pode tudo ficar na mesma? Nós não, este Governo e esta maioria acham que não, e é precisamente para aumentar os salários, para aumentar a competitividade e a produtividade que este Governo apresentou a reforma laboral", indicou.

"Como é que os partidos do contra podem dizer a um jovem qualificado português que ganha menos do que ganha outro jovem noutros países da União Europeia que tudo deve e pode ficar na mesma?", questionou o deputado.

Paulo Núncio referiu que os partidos que sustentam o Governo (PSD e CDS-PP) estão "disponíveis para negociar" e criticou a "posição absolutamente caricata do PS", que chamou "o reformado e pensionista Mário Centeno para começar já a preparar a sua contrarreforma".

"Só o PS para chamar um reformado para falar de reformas, só o PS para chamar um pensionista para falar de trabalho, só o PS para chamar um ex-ministro que antes de passar à reforma não fez uma única reforma estrutural. A estratégia do PS é sempre a mesma, para que nada mude, chama alguém que nunca mudou nada", criticou.

O centrista defendeu depois que "o país quer mudança, o país quer reformas" e, com este Governo, "vai ter reformas".

Na resposta, o primeiro-ministro considerou que durante o último período de governação socialista "as transformações e as reformas ficaram literalmente cativadas, ficaram numa gaveta à espera que alguém um dia as descativasse e as decidisse e implementasse" e "esse dia chegou em 2024", com o Governo da AD.

"Nós temos uma ala do Parlamento que se transformou verdadeiramente nos partidos do contra, os partidos que estão sempre contra tudo, incluindo nessa ala esquerda o partido mais representativo que é o PS. Está, de facto, numa situação em que já não é capaz sequer de mostrar disponibilidade, ainda que com reservas, para poder dialogar", lamentou Luís Montenegro.

O líder do executivo acusou o PS de ter adotado esta postura no que toca à Prestação Social Única, à lei laboral, e de gostarem "que tudo fique como está, não se incomode ninguém, tudo funciona como está e no futuro logo se vê qual vai ser o resultado".

"Essa política não serve o interesse do país, não serve o interesse dos jovens portugueses, não aponta ao futuro. Nós teremos de continuar o percurso, ambicionando que um dia o PS possa concluir que, afinal, esta estratégia está a tornar o partido irrelevante e a irrelevância não tem depois expressão eleitoral", afirmou Luís Montenegro.

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