Hugo Soares disse, contudo, que o PS ainda "vai a tempo" de dialogar em matéria de lei laboral, desafiando os socialistas a, na sexta-feira, viabilizarem o diploma do Governo.
O líder parlamentar do PSD acusou esta quarta-feira o PS de "sonsice e hipocrisia política" e considerou que o partido liderado por José Luís Carneiro é "mais radical" do que quando era liderado por Pedro Nuno Santos.
No debate quinzenal no Parlamento, Hugo Soares disse, contudo, que o PS ainda "vai a tempo" de dialogar em matéria de lei laboral, desafiando os socialistas a, na sexta-feira, viabilizarem o diploma do Governo.
"Pode enviar cartas ao Governo ou ao Grupo Parlamentar do PSD, nesta bancada nunca fugiremos ao diálogo olhos nos olhos, assim o PS queira", desafiou.
Em dia de estreia da seleção nacional no Mundial de futebol -- o que levou à antecipação em uma hora do plenário da Assembleia da República -, nem o PSD nem o primeiro-ministro gastaram todo o tempo disponível na última ronda do debate.
O primeiro-ministro disse querer guardar o grosso da análise sobre a situação política nacional para o Congresso do PSD que se realiza este fim de semana, em Anadia (Aveiro), mas voltou a insistir que o Governo dialoga tanto com o Chega, como o PS, assim "haja vontade".
"Da nossa parte, nós temos feito esse esforço. Não é por falta de oportunidades que, às vezes, não abrimos processos de aproximação nas várias matérias, é por, legitimamente, cada um decidir aquilo que entende sobre as propostas e sobre a realidade do país. E a verdade é que o PS a não sentiu apelo, vontade, nível de convergência suficiente para colaborar com o Governo em aspetos essenciais", disse.
Como exemplos, Luís Montenegro apontou os diplomas na área da imigração, a baixa do IRS ou IRC e, mais recentemente, a lei laboral ou a Prestação Social Única.
"Para aprovar uma proposta do Governo na Assembleia da República, um dos dois maiores partidos da oposição tem pelo menos que subsistir, não há nada a fazer. É matemática parlamentar", resumiu.
O primeiro-ministro acrescentou que "há outra possibilidade de decidir coisas na Assembleia da República e até contra o Governo", quando PS e Chega votam ambos a favor de um diploma, reiterando que "são mais as vezes em que eles se juntam do que aquelas em que apoiam o Governo".
Montenegro argumentou que, se estes dois partidos se podem juntar invocando "o interesse do país e das pessoas", este princípio também vale para o Governo procurar os parceiros para aprovar as suas propostas.
"No fim da legislatura, os portugueses vão avaliar a posição de cada um. Que ninguém tenha a arrogância de achar que sabe sempre tudo. Nós não temos. Nós vamos sujeitar-nos a uma apreciação no final do nosso trabalho. E as oposições também vão", avisou.
Antes, Hugo Soares tinha feito uma alusão direta o jogo de hoje da seleção, desejando que o selecionador Roberto Martinéz "faça uma tática muito melhor daquela que usou hoje aqui o Partido Socialista", que colocou vários deputados a fazer perguntas ao primeiro-ministro, ficando para o fim o líder José Luís Carneiro, quando Montenegro já não tinha tempo para responder.
"Caso contrário, vai ser um desastre hoje no jogo da nossa seleção", vaticinou.
Mas o grosso das críticas do líder parlamentar da bancada do PSD foi mesmo para os socialistas e para o secretário-geral José Luís Carneiro, que na terça-feira disse não ter recebido qualquer convite do Governo para dialogar sobre a lei laboral.
Hugo Soares argumentou que o PS já tinha dito em agosto do ano passado que votava contra, e acusou o líder socialista de vestir "a pele de cordeiro -- ou melhor, de Carneiro -- mas ter-se transformado num lobo", comparando-o ao anterior secretário-geral do PS.
"O senhor deputado Pedro Nuno Santos foi sempre, pelo menos, mais genuíno. Com o Dr. Pedro Nuno Santos, sabíamos ao que víamos. Com Vossa Excelência, vai dissimulando, vai dissimulando, mas consegue ser mais radical do que o deputado Pedro Nuno Santos", acusou.
"Os senhores ainda vão a tempo de fazer aquilo para o qual foram eleitos, que é fazer oposição, mas contribuir para que o Governo possa governar e transformar o país. Os senhores têm sexta-feira a hipótese de viabilizar a legislação laboral para discutir connosco na especialidade. Se os senhores querem diálogo, vamos à especialidade fazer este diálogo", desafiou.
Num debate cheio de metáforas futebolísticas, Hugo Soares terminou a sua intervenção desejando "um grande sucesso à seleção nacional do Futebol e que Portugal possa ser campeão no mundo do futebol".
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