BE considera apoios aprovados em resposta à depressão Kristin insuficientes e espera que sejam apenas "primeira tranche"
Governo aprovou um pacote de apoios que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos provocados pela depressão Kristin, abrangendo famílias, empresas e entidades públicas.
O BE considerou este domingo "totalmente insuficientes" os apoios aprovados pelo Governo em resposta aos efeitos da depressão Kristin, dizendo esperar que sejam apenas uma "primeira 'tranche' de emergência e nunca o teto máximo da intervenção pública".
"O Estado não pode dar a sua missão por cumprida com este anúncio. Seria um erro político e uma insuficiência social profunda se o Governo tentasse encerrar o balanço de perdas antes de a última casa estar de pé", afirmou o coordenador do BE, José Manuel Purza, em conferência de imprensa em Coimbra, em reação às medidas aprovadas em Conselho de Ministros.
O Governo aprovou um pacote de apoios que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos provocados pela depressão Kristin, abrangendo famílias, empresas e entidades públicas.
O líder bloquista deixou três exigências ao executivo PSD/CDS-PP, sendo a primeira a "mobilização integral de todos os mecanismos europeus".
"Portugal tem o dever de exigir o acionamento do Fundo de Solidariedade da União Europeia e a reprogramação de verbas dos fundos estruturais e do PRR", afirmou, defendendo que "nenhum recurso pode ficar por utilizar por falta de iniciativa diplomática ou agilidade administrativa de Bruxelas".
Pureza considerou, por outro lado, que o Governo "tem a obrigação de implementar medidas antiespeculação rigorosas".
"É imperativo controlar os preços e fixar margens máximas de comercialização para materiais de construção, geradores e equipamentos de emergência", disse, apelando a uma presença no terreno da ASAE e outros reguladores.
Em terceiro lugar, defendeu, o país "precisa de saber que todos os meios de proteção civil e das Forças Armadas estão ao serviço das operações de reconstrução, de socorro e de limpeza".
"Este é um momento de emergência nacional. As pessoas não podem continuar a sentir que o Estado as abandonou. Os apoios agora enunciados só podem ser, portanto, um ponto de partida. À medida que o levantamento dos danos se tornar mais preciso, o Governo terá de os reforçar", apelou.
O dirigente do BE criticou, em particular, a medida de apoios sociais diretos às famílias, que prevê que quem estiver em "situação de carência ou perda de rendimentos" pode aceder a apoios da Segurança Social até 537 euros por pessoa ou 1.075 euros por agregado familiar.
"Fica claro para qualquer pessoa que mil euros não darão sequer para reparar o telhado da casa", criticou.
O pacote aprovado no Conselho de Ministros inclui outros apoios para a reconstrução da habitação própria e permanente, que podem ir até aos dez mil euros.
José Manuel Pureza considerou ainda que a maioria das medidas, como moratórias, isenções fiscais e até prestações da Segurança Social "remetem para o médio prazo e não respondem à emergência".
"Não são anunciadas medidas de atuação direta nem dadas garantias sobre o restabelecimento da normalidade das infraestruturas", considerou.
Pureza contestou igualmente a afirmação feita pelo primeiro-ministro que "foi feito tudo aquilo que era possível".
"Esta afirmação é uma profunda falta de respeito para com os portugueses que ficavam desprotegidos", considerou, deixando críticas, em particular, aos ministros da Defesa, Nuno Melo, e da Presidência, António Leitão Amaro, que apontou como exemplos de que o Governo respondeu à catástrofe "com vídeos para as redes sociais".
"Leitão Amaro e Nuno Melo são a representação trágica da resposta deste Governo à maior catástrofe natural dos nossos tempos. Não é aceitável que, perante alertas científicos e meteorológicos, a resposta do Estado seja a ausência de comando e encenação mediática", criticou.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após a reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt