BE considera que Paulo Rangel não tem condições para continuar a ser ministro
José Manuel Pureza acusa Paulo Rangel de ter ocultado informação ao país sobre a utilização das Lajes
O coordenador nacional do Bloco de Esquerda defendeu esta sexta-feira que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, não tem condições democráticas para continuar no cargo, acusando-o de ter ocultado informação ao país sobre a utilização das Lajes.
Em declarações à agência Lusa, à margem de uma reunião com o presidente da Câmara Municipal de Leiria, José Manuel Pureza afirmou que, "hoje, o dia fica marcado pelo conhecimento que foi dado ao país pela imprensa de referência de que, relativamente à utilização da base das Lajes por aviões norte-americanos, o Governo ocultou dados, ocultou informação ao país".
"Isso é gravíssimo", sustentou José Manuel Pureza.
Hoje, o Expresso noticiou que os Estados Unidos da América (EUA) fizeram sete voos a partir das Lajes antes do acordo "condicional" do Governo e já com a guerra em curso.
O coordenador nacional do BE adiantou que "o ministro Paulo Rangel indicou que havia condições que passavam por os aviões que utilizassem a base das Lajes não serem utilizados para missões ofensivas", mas hoje Portugal ficou a saber que "pelo menos sete utilizações não tiveram a autorização explícita e não tácita que a lei obrigava, isto é, que o acordo da base das Lajes obrigava".
"O ministro ocultou isto ao país, não pode ser, é inaceitável. Na ânsia de prestar serviço a Donald Trump [Presidente dos EUA] nesta sua aventura que rompe, completamente, com a Carta das Nações Unidas, com todo o Direito Internacional público, o Governo empresta o território nacional para que as coisas sejam feitas, e sejam feitas ilegalmente, sejam feitas à socapa, sem o conhecimento do país", referiu o dirigente do Bloco.
Para José Manuel Pureza, "a democracia não tolera isto".
"Este ministro não tem, portanto, condições democráticas para continuar a exercer o seu cargo, na nossa opinião", declarou, insistindo tratar-se de "uma situação totalmente inaceitável".
Questionado se está a pedir a demissão do ministro, José Manuel Pureza reiterou que "Paulo Rangel não tem condições democráticas para continuar a exercer este cargo neste momento particularmente delicado da política externa de Portugal".
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt