Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano".
O presidente do PS/Açores defendeu esta quarta-feira que é o primeiro-ministro "quem deve falar ao povo português" sobre a Base das Lajes, nos Açores, e que os esclarecimentos do Governo devem ser dados no parlamento e não em entrevistas.
"Quem representa o Governo é o primeiro-ministro. Quem deve falar ao povo português é o primeiro-ministro. E mesmo quando falam outros membros do Governo, devem fazê-lo em declarações dirigidas ao povo português e não em entrevistas laterais", defendeu Francisco César em declarações aos jornalistas após uma reunião, na sede nacional do PS, em Lisboa, com personalidades políticas e académicas sobre a atual situação geopolítica internacional e a posição portuguesa.
Para o dirigente do PS, as entrevistas a órgãos de comunicação social, por "meritórias que sejam", "não estão dirigidas diretamente ao povo português"
Francisco César frisou que não é pedido ao Governo que divulgue informações confidenciais e que "são normais serem mantidas sob reserva", mas sim que explique aos portugueses, na Assembleia da República, a posição do país, bem como as garantias que foram pedidas aos Estados Unidos da América em relação à utilização base militar nos Açores.
O deputado açoriano disse que este encontro teve como objetivos, entre outros, "avaliar o trabalho e a posição do Estado português" e a utilização da Base das Lajes, em particular preparar as questões que serão feitas ao Governo sobre a "condução deste processo desde o início".
"Ou seja, a relação que foi tida com o Governo americano, os esclarecimentos que foram pedidos pela parte do Governo português aos Estados Unidos da América daquilo que tem a ver com a utilização da base americana, e também daquilo que tem a ver com a defesa do interesse nacional em todo este processo", detalhou.
Questionado sobre o facto de o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, ter dito que Portugal concedeu aos Estados Unidos uma "autorização condicional" para utilização da Base das Lajes, Francisco César afirmou querer "perceber concretamente que explicações foram pedidas e que explicações foram dadas" e adiantou que essas perguntas serão feitas pelo secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, no debate quinzenal desta tarde, no parlamento.
O socialista argumentou que "é da responsabilidade do Estado assegurar que as garantias que lhe são dadas são efetivamente cumpridas" e que "é da responsabilidade do maior partido português da oposição garantir" garantir que o Governo responde sobre estas matérias.
Francisco César defendeu também que no debate desta tarde o Governo deve fazer a sua avaliação deste ataque militar ao Irão à luz do direito internacional
Sobre a recusa de Espanha de permitir a utilização por parte dos EUA das bases militares no país para as operações relacionadas com os ataques ao Irão, Francisco César defendeu a afirmação da solidariedade com os países da União Europeia, nomeadamente com Espanha
O líder do PS nos Açores também foi questionado sobre como é que a sua região se sente sobre os acontecimentos da última semana e respondeu que "quando há pouca informação" e o "Governo português não se dirige ao povo português as pessoas têm dúvidas e têm, naturalmente, preocupações".
Neste encontro, esteve também em análise, explicou o socialista, a situação dos cidadãos portugueses e a "necessidade que o Estado português tem de garantir a proteção de todos" os que se encontram em zona de conflito.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
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