BE quer esclarecimentos de Moedas sobre nomeação de acusado no "Tutti-Frutti" para EGEAC
Gabinete de Carlos Moedas referiu que "as empresas municipais têm total autonomia na sua gestão, cabendo-lhes as decisões e opções que, a cada momento, as administrações consideram as mais adequadas".
O BE em Lisboa pediu esta quarta-feira esclarecimentos ao presidente da Câmara sobre a nomeação de Vasco Morgado, acusado de vários crimes no âmbito da Operação "Tutti-Frutti", como diretor de planeamento e produção de eventos da EGEAC.
O requerimento entregue pela vereadora Carolina Serrão refere que o ex-presidente da Junta de Freguesia de Santo António Vasco Morgado (PSD), nomeado em abril para um cargo de direção na Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), "é arguido na denominada Operação 'Tutti-Frutti', encontrando-se acusado pelo Ministério Público de um elevado número de crimes, incluindo crimes de corrupção passiva, factos amplamente noticiados e do conhecimento público".
Na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa (CML) desta quarta-feira, a vereadora questionou qual a posição do presidente perante esta nomeação, mas o social-democrata Carlos Moedas não respondeu.
"O senhor presidente disse que não trabalhava com arguidos. Nós aqui estamos a falar de uma pessoa acusada de 27 crimes, 17 de corrupção passiva, três de prevaricação e três de branqueamento", realçou a bloquista.
Também o vereador Bruno Mascarenhas, do Chega, questionou "como é possível que o 'Tutti-Frutti' continue a ter a influência que tem na cidade de Lisboa e, sobretudo, perante o presidente da Câmara Municipal de Lisboa", e como é que alguém "acusado de 27 crimes passa pelo crivo da Câmara".
O BE pretende ver esclarecido se Carlos Moedas foi informado previamente da nomeação e que diligências exerceu ou não, no âmbito da tutela política da EGEAC, qual o procedimento utilizado para esta nomeação e que critérios de idoneidade, ética pública e avaliação de risco institucional foram ponderados no momento da escolha de um arguido em processos judiciais "de elevada gravidade" para um cargo de direção numa empresa municipal.
O BE questionou também como é que a liderança de Carlos Moedas justifica a "compatibilidade desta nomeação com o compromisso público assumido pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em campanha eleitoral, de não colaborar com arguidos", e se admite rever ou revogar a nomeação, "caso se verifique o agravamento da situação judicial do nomeado ou a existência de prejuízo para a imagem e funcionamento da EGEAC".
Numa declaração escrita enviada à Lusa, o gabinete de Carlos Moedas referiu que "as empresas municipais têm total autonomia na sua gestão, cabendo-lhes as decisões e opções que, a cada momento, as administrações consideram as mais adequadas".
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