BE questiona Governo sobre sites de partidos inacessíveis na rede da Marinha
Marinha adiantou esta quinta-feira à agência Lusa que o problema está relacionado com razões técnicas e questões de segurança, negando motivações ideológicas.
O Bloco de Esquerda pediu esta quinta-feira informações ao ministro da Defesa sobre os 'sites' de alguns partidos políticos que estão inacessíveis na rede de Internet da Marinha e questionou se o Governo vai averiguar a situação "de forma autónoma".
A Marinha adiantou esta quinta-feira à agência Lusa que o problema está relacionado com razões técnicas e questões de segurança, negando motivações ideológicas.
A resposta da Marinha surge depois de a agência Lusa ter questionado o ramo acerca de uma publicação nas redes sociais de uma página denominada "Contra Narrativa", que escreve que os 'sites' de alguns partidos políticos à esquerda estão inacessíveis na rede de internet da Armada.
Numa pergunta dirigida ao ministro da Defesa, Nuno Melo, o deputado único do Bloco de Esquerda (BE), Fabian Figueiredo, além questionar sobre o conhecimento do Governo sobre a situação, perguntou ainda se o Governo vai "averiguar de forma autónoma as alegadas causas técnicas para este bloqueio, para garantir que não se trata de facto de um bloqueio com motivações políticas".
O BE questionou também se o Governo consegue "garantir que o mesmo bloqueio não está a acontecer nas redes de Internet de outros ramos das Forças Armadas".
Na pergunta dirigida ao Governo, o BE frisou que o "direito à informação é incontornável numa democracia, e o bloqueio de fontes de informação online dos partidos políticos a partir da rede de internet da Marinha constituem um grave entrave a esse direito".
"Ainda mais quando esse bloqueio acontece apenas com os partidos da esquerda com representação parlamentar, o que indicia um padrão no bloqueio à informação dos partidos da esquerda", apontou.
O BE defendeu ainda que a situação "é grave o suficiente para merecer uma investigação imparcial sobre as suas razões, alegadamente técnicas, para confirmar que não existe qualquer motivação política por detrás do bloqueio dos sites do Bloco de Esquerda, do PCP, do Livre e do PS".
Segundo a publicação na rede social, no caso dos 'sites' de Livre, PCP e BE, aparece a seguinte mensagem: "Conteúdo bloqueado por políticas de proxy - Marinha". Já no caso do PS, de acordo com a mesma página, surge apenas um aviso a alertar que não é possível aceder.
Em resposta a perguntas da Lusa, a Armada confirmou que "existem 'sites' de alguns partidos políticos que se encontram inacessíveis através da rede da internet da Marinha" e que tal se deve "a questões técnicas", rejeitando qualquer razão "relacionada com a natureza ideológica ou partidária".
O porta-voz do ramo deu como exemplo que não é possível aceder ao site do PCP, mas já é possível aceder ao da CDU (coligação que junta comunistas e PEV) e disse que é possível aceder ao 'site' do PCTP-MRPP, mas não ao do PPM ou do ADN.
Na resposta enviada à Lusa, a Marinha sustentou que "numa vertente da segurança operacional e no atual ambiente estratégico de competição geopolítica, caracterizado por operações no ciberespaço e dependência crítica de infraestruturas digitais, a imposição de restrições no acesso a 'sites' externos constitui uma medida de governança essencial".
"Não se trata apenas de controlo técnico, mas de uma decisão de mitigação de risco ao nível institucional, alinhada com a preservação da soberania tecnológica, a proteção da informação e a continuidade operacional", justificam na resposta.
A Armada argumentou ainda que "a exposição irrestrita ao domínio externo amplia a superfície de ataque e facilita atos de exploração que podem comprometer sistemas, dados e processos".
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