Bloco de Esquerda apela à greve geral e quer código laboral alternativo
José Manuel Pureza, coordenador do partido, defendeu que há uma "urgência" no sentido de mostrar uma grande mobilização para derrotar o pacote laboral do Governo.
O coordenador do BE apelou este sábado à mobilização dos trabalhadores, sindicalizados ou não, para a greve geral da próxima quarta-feira e defendeu uma estratégia unitária, não sectária, para a elaboração de um Código de Trabalho alternativo.
José Manuel Pureza fez estas declarações a meio de uma ação na Feira do Livro de Lisboa, iniciativa que teve lugar após uma reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda (BE).
"As alterações ao Código de Trabalho que o Governo propõe representam uma agressão a quem trabalha. São uma humilhação para quem trabalha e, por isso, o Bloco de Esquerda tem estado desde o primeiro momento totalmente mobilizado para a contestação dessa proposta do Governo e também para a formulação de uma alternativa, ou seja, de um Código de Trabalho que proteja realmente quem trabalha", declarou.
Em relação à greve geral de quarta-feira, José Manuel Pureza defendeu que há uma "urgência" no sentido de mostrar uma grande mobilização para derrotar o pacote laboral do Governo -- "um pacote laboral que está moribundo, mas que é preciso derrotar".
A seguir, o coordenador do Bloco de Esquerda pediu unidade em torno da defesa dos trabalhadores e pediu também para serem evitados atos sectários no plano político, num recado aos partidos de esquerda.
Na perspetiva de José Manuel Pureza, a luta contra a proposta do executivo PSD/CDS "possui agora um ponto muito importante na greve geral, mas tem depois uma continuação, porque a proposta do Governo entrou agora na Assembleia da República -- e, portanto, vai demorar ainda meses na sua tramitação no parlamento".
"E o Bloco de Esquerda quer agora, quer no dia 3 de junho, quer depois do dia 3 de junho estará muito mobilizado para ajudar a que esta proposta do Governo seja derrotada e que se construa de uma maneira muito plural, muito unitária, sem nenhum sectarismo, ouvindo todas as vozes que convirjam para um novo Código de Trabalho", advogou.
Interrogado sobre o facto de a UGT não ter aderido à greve geral convocada pela CGTP-IN, José Manuel Pureza respondeu: "É prioritário que haja unidade de todos os trabalhadores, porque vai determinar a derrota do pacote laboral".
"Precisamos da unidade de todos os trabalhadores, sindicalizados, não sindicalizados, qualquer que seja o sindicato, qualquer que seja a sua estrutura, é necessário que haja unidade, porque vai determinar a vitória sobre este pacote laboral", acentuou.
Ainda no que respeita à greve geral de quarta-feira, José Manuel Pureza disse estar convencido de que "vai ser grande, muito mobilizadora, com muita gente e vai ter também expressões de rua, de concentrações, de desfiles, que lhe emprestam uma imagem de força".
Questionado sobre o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, com polémicas em torno de casos de morte de utentes, o coordenador do Bloco advertiu que, "quando os governos descuram a qualidade e a robustez dos serviços públicos, o que prevalece é a insegurança pública".
"Temos um Serviço Nacional de Saúde que não tem os meios humanos, técnicos, de investimento, de equipamentos necessários e, como tal, não dá resposta a esta necessidade de segurança da comunidade", acrescentou.
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