Bloco de Esquerda reitera que Prestação Social Única é uma iniciativa "de enorme crueldade"

Proposta do Governo que visa autorizar o executivo a criar a prestação social única baixou esta sexta-feira à fase da especialidade sem votação na generalidade.

12 de junho de 2026 às 14:45
José Manuel Pureza, deputado do Bloco de Esquerda Foto: Bruna Colaço
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O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) disse esta sexta-feira, em Coimbra, que a iniciativa da Prestação Social Única é de "enorme crueldade", defendendo que a democracia não pode aceitar "afetar trabalho gratuito a tarefas socialmente necessárias".

"Trata-se de uma iniciativa de enorme crueldade, que consagra trabalho gratuito para aquilo que diz ser socialmente necessário", afirmou José Manuel Pureza aos jornalistas.

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Na opinião do BE, acrescentou, "se há trabalho socialmente necessário, criem-se os postos de trabalho que são necessários para que esse trabalho se cumpra".

"Afetar trabalho gratuito a tarefas socialmente necessárias, é tudo quanto a democracia não pode aceitar", acrescentou.

A proposta do Governo que visa autorizar o executivo a criar a prestação social única baixou esta sexta-feira à fase da especialidade sem votação na generalidade, com votos contra de BE, PCP e do ex-líder do PS Pedro Nuno Santos.

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A baixa do diploma sem votação tinha sido anunciada na quinta-feira pelo líder do Chega, André Ventura, por acordo com PSD e foi esta sexta-feira concretizada através de um requerimento do Governo, que fixa um prazo de dez dias para a discussão na especialidade na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, sem votação.

Segundo a proposta original, a Prestação Social Única (PSU) vai agregar 13 apoios que existem atualmente: o Rendimento Social de Inserção (RSI), seis subsídios sociais de parentalidade (parental inicial, por risco clínico durante a gravidez, interrupção da gravidez, riscos específicos, adoção, e necessidade de deslocação a unidade hospitalar localizada fora da ilha de residência da grávida), a pensão social de velhice, a pensão social do regime especial de proteção na invalidez, o complemento extraordinário de solidariedade, a pensão de viuvez, a pensão de orfandade e o subsídio social de desemprego.

Uma das principais medidas é o condicionamento da atribuição da PSU à disponibilidade do requerente ou membros do seu agregado em idade ativa que não se encontrem a trabalhar para, salvo em situações excecionais previstas na lei, prestar "atividades de solidariedade social" até um máximo de 15 horas por semana.

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No requerimento, o executivo justificou a urgência do debate com "os compromissos assumidos" no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sublinhando que a "não concretização desta reforma implica o não desembolso de cerca de 620 milhões de euros por parte da Comissão Europeia".

Foram rejeitados projetos de lei JPP, BE e Livre e resoluções (recomendações) de Livre e do Chega sobre o mesmo tema.

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